A obsolescência programada das nossas vidas

Já se deram conta de estarmos mais pobres?

Pandemia seguida de guerra programada, entre psicopatas, quando nos sobra tanto mês para ordenados de miséria, com os novos ricos das criptomoedas e os nómadas digitais a lamber os beiços à vida que renasce sem impostos, com os fascistas que espreitam de beiça molhada pela ansiedade em tomar o poder, aguçando ódios e polarizações, com o SNS a cair da tripeça (um dia destes passa a SPS (serviço privado de saúde), tratando mal cidadãos e o seu pessoal (afinal já não são o garante de vida de uma nação em pandemia nem merecedores de palmas à janela), com a Educação tratando mal Professores deixando-os cair na angústia de uma vida sem saída, e aos alunos levando-os fundo no caminho da ignorância programada, com o crescimento da inflação – os bens essenciais estão pela hora de nos matar de fome e a gasolina já se tornou um bem essencial que estrangula carteiras, roubando pão na mesa por falta de um bom serviço público de transportes, essencial para fazer andar muitos motores da economia, com o crescimento da pobreza escondida sabem os deuses por onde andam os problemas de saúde mental, as depressões, as doenças nunca tratadas por falta de dinheiro, sobe a gentrificação em lugares até agora tranquilos, num país que durante a pandemia serviu de acolhimento a várias nacionalidades, por ser bem bom e barato, sem que os novos habitantes ganhassem consciência de como se vive e ganha neste país, fazendo disparar a especulação imobiliária – sobretudo nos arrendamentos (sim que este país não é para Portugueses com o ordenado mínimo no recibo de ordenado) – com a crise infernal nos aeroportos por falta de trabalhadores – os que foram despedidos e não mais readmitidos (os processos de recrutamento e admissão para um aeroporto são complexos e demorados além de ainda vivermos debaixo do chapéu da pandemia, por isso quem se lembra de retomar o mesmo número de voos como se o equivalente a trabalhadores fosse igual a Março de 2020?), com tudo isto que me tira o fôlego tenho uma recomendação a fazer – saiamos todos da nossa zona de desconforto, vamos de férias para os aeroportos (o dinheiro não dá para mais), podemo-nos divertir a fazer flashmobs, a conhecer muitas culturas de gente que chega nos charters e aguarda a sua vez de encontrar a mala, se ela chegar, para ir beber cerveja aos festivais, até ver o que o Costa, o senhor da Nato e os grandes do capital querem fazer desta terra já vendida.

As soluções encontram-se todos à nossa frente, aqui descritas.

Se há quem tenha de ser espremido não é quem já está seco e vazio. Logo, só há de facto uma solução para sobrevivermos como um todo – erradicar a extrema riqueza.

Bem hajam todos e boas férias, eu vou ali à tasca e volto, ler o CM com as ofertas de emprego que têm apenas o ordenado mínimo como garante de sobrevivência, enquanto os lucros das corporações sobem enlouquecidos, a crise climática viaja descontrolada nas malas bem conservadas pelo calor das notas dos muito ricos, enquanto nós, frenéticos, entramos em guerra uns contra os outros. Por migalhas. 

Anabela Ferreira

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