As diabrices da Judite – A personalidade do Ano (por Jacinto Furtado)

Imagino que quem ler o título vai pensar que este texto serve para bater numa qualquer Judite.

Errado! Aliás, duplamente errado!

Não só no que se refere à De Sousa mas também no que se refere à outra “Judite”, aquela judite que mais rápido que um relâmpago, daqueles fortes e violentos das tempestades secas, conseguiu descobrir e deter para interrogatório a árvore que se meteu debaixo do raio.

Coitada da árvore, se lhe toca em sorte um certo juiz e um determinado procurador, vai acabar os dias presa preventivamente à espera do desenrolar do inquérito e, pelo menos nas bocas do mundo, já não se vai livrar da fama de ser uma árvore depravada. Meteu-se debaixo dum raio e essa sua atitude teve como consequência a morte de, pelo menos, 63 pessoas.

Pelo menos 63 vitimas porque a judite, não a De Sousa, a outra foi muito eficaz em descobrir a árvore, mas os mortos ainda não sabem quantos são. Também, diga-se em abono da verdade que isso é secundário, já estão mesmo mortos. Já Sebastião de Carvalho e Melo tinha dito, em 1755, “Enterrem-se os mortos e cuide-se dos vivos” o que em versão mais moderna quer dizer “Culpe-se a árvore que para os mortos temos tempo”.

Prenda-se a árvore e o raio se o apanharem senão raios o partam!

Tratemos agora da Judite não a que investiga mais rápido que um relâmpago, mas a outra, a personalidade do ano, a De Sousa. A Judite de Sousa.

Judite, a De Sousa, tem mais de 3 décadas de jornalismo em cima dos ombros, passou por muitos cenários e sempre cultivou à sua volta reconhecimento, ódios e invejas. Reconhecimento daqueles que viam nela um exemplo para a profissão, ódios daqueles que como ela queriam ser, mas que não tinham a capacidade ou as oportunidades ou que viram as capacidades e oportunidades não serem reconhecidas. Outros criticavam o seu estilo de vida, os sapatos ou as malas muito caras que gosta de usar. Invejosos!

Judite, a De Sousa sempre esteve naquela fronteira complicada em que a noticia é o próprio jornalista e, isso é coisa que nunca dá bom resultado. Em 2014, mais propriamente no dia 29 de Junho, Judite de Sousa voltou a ser noticia, o seu filho morreu numa piscina em Azeitão. Os especialistas em necrologia logo saltaram a terreiro tentando escarafunchar tudo, captar mais uma imagem, tirar uma foto, fazer um plano duma Mãe destroçada, chorosa, de rastos e que, naquele momento, certamente pensava que a vida tinha deixado de fazer sentido.

Judite de Sousa pediu, implorou, exigiu, que respeitassem a sua dor privada e que, como tragédia privada que era, que deixassem de a perseguir a ela e ao cadáver do filho.

Muitas vozes se levantaram, nessa altura, colocando a sua voz ao lado da voz de Judite de Sousa. Fui uma dessas vozes e voltaria a ser perante uma situação semelhante. Os mortos merecem ser tratados com dignidade e, de igual forma os vivos merecem respeito.

Não fosse dar-se a tragédia de Pedrogão, não fosse Judite de Sousa ter sido destacada para o local e não fosse a mesma Judite a fazer uma reportagem com um cadáver como pano de fundo e nenhuma destas palavras faria sentido. Mas foi, foi a Judite de Sousa que adaptou para si mesma uma variante da expressão “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”. A Judite faz aos outros o que não quer para si.

Aquele cadáver, merecia dignidade, aquele cadáver merecia respeito, aquele cadáver não merecia fazer parte da prostituição intelectual que se abateu sobre a Judite de Sousa.

Este mês Judite de Sousa recebeu (no dia 11) o prémio de personalidade do ano na gala dos troféus de televisão, terá ganho porque alguém achou que era merecido. No dia 18 deste mesmo mês, em Pedrogão, Judite de Sousa ganhou, por mérito próprio, o prémio da hipócrita do ano.

Judite de Sousa, usou e abusou dum cadáver para perguntar e insistir se a ministra da administração interna não se ia demitir face ao número de mortos. Não sei com base em quê ou porquê a judite, a outra, já disse que a culpa é da árvore e do raio que se atirou para cima dela como se não houvesse amanhã.

Mas não deixa de ser uma pergunta, pelo menos parcialmente, interessante e, como referi no inicio, este texto não serve para bater em nenhuma Judite, serve para fazer uma pergunta a uma Judite, a De Sousa.

Judite de Sousa, depois de ter enlameado ainda mais o jornalismo em Portugal, depois de se ter tornado uma prostituta intelectual ao fazer aos outros o que não quis que lhe fizessem a si, depois de ter desrespeitado o direito à memória, à dignidade, dos mortos dessa tragédia, depois de tudo isso vai demitir-se e afastar-se duma profissão que não merece ser tão mal representada?

Um comentário a “As diabrices da Judite – A personalidade do Ano (por Jacinto Furtado)”

  1. Ana Vaz diz:

    Mais um que quer dar nas vistas a todo o custo………. Outro prostituto que se acha melhor que a Judite mas não hesita em levantar um morto para justificar um mau acto de jornalismo. Ohh país miserável este que alimenta gentalha desta que se julga melhor que as Judites da vida mas não passam de ralé que nem os porcos comeriam.

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