Carta ao Primeiro Ministro

Senhor Primeiro Ministro, desculpe incomodar, tenho andado incomodada eu própria com a seguinte e premente questão – não o incomoda ter meio milhão de pessoas assim a atirar para o racista e para o fascista?

Não o incomoda mandarem cidadãos para a terra deles? Aquelas que um dia foram do império porque o império assim entendeu e decretou e não porque os povos autóctones o tivessem pedido?

Como a sua terra, por exemplo. E se lhe disserem em voz alta na casa da República, ou com uma pistola na mão e o tentarem matar, ou chegarem mesmo a vias de facto, ou pedirem a sua expulsão com uma petição? “Vai para a tua terra seu…de …”! Mas a sua terra também é cá onde o senhor até chegou a Primeiro Ministro. Essas pessoas são o senhor primeiro ministro não são? O meu desconseguimento é entender o seu silêncio. Ou as palavras sem qualquer solidariedade para quem as ouve.

Digo-lhe que seria relevante marcar uma posição clara e sem ambiguidade. É que este vírus mata mais ainda que o outro. Já o disseram e continuarão a dizer os meus heróis que acabaram com o colonialismo e pensaram que o racismo iria acabar com a Educação das pessoas. Porque não fala e mostra uma inequívoca e oficial posição?

Este debate está a acontecer já há algum tempo em todo o mundo que um dia foi colonizador e colonizado. Aqui estamos atrasados, como sempre, mas temo-lo a si, que deveria ser o exemplo suficiente para dar força a quem está do lado certo. O único. Ser anti racista e promover o anti-racismo. 

O que falta acontecer para o ver sair do silêncio ( a arma dos cúmplices de um crime) para um hashtag oficial #jesuispreto? 

Desculpe qualquer intromissão e atrevimento. Qualquer dia alguém vai pensar que tem medo de perder alguma coisa. Eu Pitonisa digo-lhe que vai. Entrar para a História como um fraco. Enganarei-me?  cito um admirador anónimo de Beatriz Costa).

Anabela Ferreira

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