Casa Pia: Uma investigação ao processo

NOTA DA REDACÇÃO:

Hoje, dia 31 de Maio, assinalam-se 14 anos da data em que foi emitido o despacho de pronúncia que deu inicio ao julgamento do chamado “Caso Casa Pia”.

Foi um processo que incendiou opiniões, revelou fragilidades do sistema judicial, fez renascer os tristes julgamentos na praça pública com a fogueira da inquisição estrategicamente acesa por alegadas fugas de informação que, mais tarde se verificaram ser apenas falsas notícias utilizadas por uma má imprensa ávida de lucro fácil sem olhar a meios para tal.

Um processo em que se inverteu por absoluto o princípio da justiça, onde se pagaram indemnizações em troco de testemunhos, ou seja, antes dos factos provados em sede de julgamento as alegadas vítimas forma indemnizadas para garantir que o testemunho que iriam prestar seria de acordo com a tese da acusação, caso contrário não recebiam nada.

O Notícias Online assinala esta data dando inicio à publicação, em rigoroso exclusivo, do livro Casa Pia: Uma Investigação ao Processoda autoria de Dafydd Llewellyn.

A partir de hoje e durante as próximas semanas vamos proceder à publicação parcial do livro que convidamos os nossos leitores a seguirem atentamente e, concluída a leitura, a retirarem as suas conclusões.

Concluida a publicação parcial vamos disponibilizar aos nossos leitores a versão integral do livro certos que será um documento que se reveste de absoluto interesse para o conhecimento dum dos maiores, senão o maior, escândalo judicial em Portugal.

Sobre o autor:

Dafydd Llewellyn é um historiador de carreira galês, doutorado pela Universidade de Caerdydd (Cardiff), e que passou algum tempo como professor antes de se dedicar a temas de psicologia de massas e pânicos morais. Colaborou com o falecido historiador britânico Richard Webster num pequeno trabalho sobre o processo Casa Pia, que o inspirou a concluir um estudo mais aprofundado, para o que teve acesso a todas as peças do processo, incluindo acórdãos e recursos. Este livro é um resumo desse estudo. Não há uma única afirmação que não possa ser corroborava pela documentação existente.

PREFÁCIO

Este livro é politicamente incorrecto.

Comecemos por afirmar, para que não restem dúvidas, que o abuso sexual de menores existe. E que havia de facto casos de abuso sexual de menores dentro da Casa Pia. E que havia menores da Casa Pia que se prostituíam.

Mas o chamado escândalo da Casa Pia resume-se a isto. Não havia, nem nunca houve, redes de pedofilia, nem potentados do regime a violar crianças, nem muito menos criancinhas inocentes arrastadas para uma vida de deboche por intermédio de funcionários menores que nem para viver modestamente tinham dinheiro.

Porque a realidade era simplesmente esta: uma instituição de algum prestígio estava entregue, desde a década de 1970, a métodos permissivistas que fizeram da disciplina interna uma completa bandalheira (1). Assim, não admira que a Casa Pia fosse escolhida para palco de um escândalo que foi fabricado artificialmente, e cujos objectivos foram largamente alcançados, apesar de o número de educandos cujo envolvimento em actividades sexuais se confirmou não chegasse, na prática, a 1 por cento do total.
O processo foi montado segundo o esquema já consagrado no estrangeiro. A partir de um caso isolado (Carlos Silvino) a que se dá publicidade inusitada (Felícia Cabrita, Pedro Namora), surgem justiceiros (Juiz Rui Teixeira, Procurador João Guerra), aparecem cada vez mais alegadas vítimas, e inventa-se uma fábula de “rede de pedofilia” (Teresa Costa Macedo e outros), que certa comunicação social difunde e amplifica dia a dia e que ganha o apoio dos “salvadores de crianças” (Catalina Pestana, etc.). E começa a caça aos “hediondos pedófilos”.

E o aparelho judicial começou a funcionar em termos inimagináveis. Num caso que não fosse este, não faltaria quem suspeitasse, e com razão, de incompetência, parcialidade e má fé. Arrastados por uma loucura colectiva, polícias e magistrados confundiram investigação com protagonismo e razão com sentimentalismo. Começaram a aparecer “vítimas” com histórias que eram apenas produto da sua imaginação, e a quem foi atribuída uma credibilidade que não tinham nem mereciam. Pior ainda, foram encorajadas a mentir, assegurando-lhes a impunidade e recompensando-as pelas mentiras que dissessem. Pessoas houve que foram presas e condenadas sem provas por crimes que não cometeram. Outras foram indiciadas mas, curiosamente, “esquecidas” durante a investigação.

E os arguidos estavam inocentes – com a possível excepção de Carlos Silvino. E mesmo este, se tivesse tido um bom advogado, poderia ser absolvido, tão deficientes eram as provas contra ele.
Escutas telefónicas indiscriminadas, prisões arbitrárias, acusações mal fundamentadas, julgamentos na praça pública ficaram a ser tão comuns que, ainda hoje, quase não são comentados. Atitudes que nunca foram abuso sexual de menores passaram a ser criminalizadas como se o fossem. Começou a apelar-se à denúncia, mesmo anónima, e a prometer-se dinheiro a quem acusar, mesmo que se provasse que estava a mentir. E a fomentar-se a desconfiança entre cidadãos, entre amigos, entre parentes, entre professores e alunos, entre pais e filhos.

Com o pretexto de proteger as crianças, está a construir-se um regime ditatorial. Com o pretexto de combater a pedofilia e a pornografia infantil, está a tentar-se controlar a Internet, a única fonte de informações relativamente livre que nos resta (2).

Esta é que é a verdade que nos querem esconder. O resto é poeira nos olhos.

O presente trabalho é mais do que um livro; é um intrumento de trabalho. Para que o Leitor possa começar a ver por si próprio, tivemos o cuidado de não fazer uma única afirmação que não fosse documentada com fontes de referência ao alcance de todos (3). A Introdução, embora bastante extensa, é indispensável para enquadrar o fenómeno português numa estratégia que já se apoderou de todo o mundo ocidental. E como o processo Casa Pia foi, em grande parte, decalcado de modelos estrangeiros, e levou a práticas policiais copiadas do estrangeiro, referimo-nos frequentemente, e em algum pormenor, ao que se tem passado lá fora.

Para salvaguardar a privacidade das alegadas vítimas, só indicamos os apelidos das mesmas se já foram revelados pelas próprias ou na comunicação social.

“Num tempo de mentira universal”, disse uma vez o escritor britânico George Orwell, “dizer a verdade é um acto revolucionário”. Partamos, então, para a revolução necessária.

I – INTRODUÇÃO

1.1. O que é engenharia social

De tempos a tempos, culturas inteiras endoidecem. As pessoas sentem-se esmagadas por problemas que parecem ultrapassar a sua compreensão ou solução. Nessas alturas, é preciso que o mal assuma uma forma palpável. Algum grupo indefeso torna-se o bode expiatório e as autoridades concentram a sua raiva nele.

Bob Chatelle, escritor e activista jurídico (4)

À medida que a legislação aumenta, assim aumenta o braço coercivo do Estado, os poderes policiais, as cadeias, e o seu alcance sobre a sociedade. É como um nevoeiro venenoso que se espalha mais e mais, e se infiltra em cada reentrância da vida.
Jeffrey A. Tucker, sociólogo (5 )

O objectivo da política prática é manter a populaça alarmada – e, portanto, exigindo que lhe seja dada segurança – ameaçando-a com uma série contínua de duendes, todos eles imaginários.

Henry L. Mencken (1880-1956), ensaísta (6)

Todas as sociedades, para serem governáveis, necessitam de certas restrições às actividades dos seus membros. Ora uma sociedade democrática e liberal, por definição, não as pode ter ao nível estritamente necessário para ser governável. Daí a necessidade de os Governos criarem mecanismos de controlo cada vez mais sofisticados, para obrigar os cidadãos a conformar-se automàticamente com uma série de valores e atitudes polìticamente correctos, deixando assim aos políticos a tarefa de governar.
Num país democrático, exactamente como em qualquer outro, é o Estado que detém o poder. Mas os cidadãos são encorajados a acreditar que podem tomar decisões sobre o seu futuro colectivo, através do voto. Isto requer uma técnica de propaganda oficial muito aperfeiçoada, para que os cidadãos não se apercebam de que a escolha que se lhes depara numa eleição é entre dois partidos cuja actuação, agora que a ideologia foi quase totalmente metida na gaveta, é pràticamente a mesma; e de que os políticos que elegem para os mais altos cargos – muitas vezes apenas por serem simpáticos ou por falarem bem – não são necessàriamente quem vai mandar no país (7). O poder está, na realidade, nas mãos de uma oligarquia, que tem interesse em manter o status quo, assegurando deste modo a manutenção dos seus poderes e privilégios. Para o fazer, necessita de controlar a sociedade, marginalizando certas pessoas ou grupos e culpabilizando-os pelos seus problemas.
O controlo social, tal como hoje o compreendemos, foi experimentado pela primeira vez em larga escala na Itália em 1992-1994, com o fenómeno que ficou na história com o nome de Operação Mãos Limpas (Operazione Mani Pulite) (8), uma forma de destabilização controlada
que por pouco não mergulhou o país numa completa anarquia, à medida que empresários, industriais e políticos, acusados de corrupção, eram arrastados para as esquadras da Polícia, perante a estupefacção dos populares (9). Na prática, tratou-se de substituir a forma parlamentar de governo por uma “república de juízes”, o que afectou os próprios fundamentos da democracia. Os Deputados são eleitos, mas os juizes não – e nem devem ser, porque o seu papel é determinar questões da Lei, e não governar, apesar de a magistratura ser um órgão de soberania. Dar-lhes um poder que não lhes compete, e que não pode ser contestado, porque os Juízes são constitucionalmente “irresponsáveis”, é privar os eleitores do seu direito a decidir quem os governará e como serão governados.

O nível mais elementar de controlo social é a construção deliberada de situações que preocupem de tal maneira os cidadãos que estes se mantenham dóceis: legislação complicada e repressiva (10), dificuldades económicas (exacerbadas pelo uso corrente do crédito, que os Bancos encorajam, apesar das crises), impostos cada vez mais altos, “flexissegurança” e desemprego, criminalidade impune, corrupção a todos os níveis, tráfico e consumo de estupefacientes. Concede-se aos cidadãos a liberdade de se manifestarem, como válvula de escape, porque não há manifestação ou greve que altere a planificação governamental. O mais que pode suceder é o Governo dar o clássico “passo atrás”, para recuperar mais adiante o terreno perdido.

A um nível mais complexo, o controlo social é apresentado sob um pretexto totalmente diferente, e ao mesmo tempo aceitável pela população em geral, que é condicionada para tal fim pela imprensa, rádio e televisão (11), encarregados de promover o emotivo em vez do racional – porque as emoções bloqueiam a razão, o que é uma maneira muito eficaz de controlar a sociedade. Assim, quem se oporia a uma ofensiva das autoridades contra o tráfico de droga (12) ou as associações de criminosos, por exemplo? Ou contra os abusos sexuais de menores?

Proteger os menores de abusos, sexuais ou não, é uma preocupação natural e merece louvor. Mas não é a fomentar um estado de paranóia colectiva que se protegem os menores. Contrapondo os adultos às crianças, alimentando nestas a desconfiança permanente dos mais velhos, cria-se um conflito de gerações sem precedentes, desagrega-se a coesão familiar, e incentiva-se o isolamento social das pessoas, tornando-as assim mais receptivas ao controlo dos poderes constituídos. Como proclama, nos Estados Unidos, a Darkness to Light (‘Da Escuridão à Luz’), organização de destaque na indústria de protecção de menores:

Nem sequer nos adultos de maior confiança se pode confiar sempre. Os treinadores, professores e pais são figuras de autoridade em que as crianças acham que podem confiar. Mas uma grande percentagem de indivíduos que abusam de crianças pertencem a este grupo. São adultos que têm oportunidade de “seduzir” as crianças, dando-lhes afecto e atenção, e é difícil as crianças identificarem certas atenções como sendo abuso (13).

Um programa social chamado Virtus – Protegendo os filhos de Deus, que é patrocinado pela Igreja Católica dos Estados Unidos, recomenda aos pais, entre outras coisas:

Os adultos podem proteger melhor as crianças se vigiarem todos os adultos que tenham contacto com as suas crianças […] Nunca permita que qualquer pessoa adulta fique sòzinha com o seu filho, ou se aproxime muito do seu filho, ou monopolize uma parte significativa do tempo do seu filho […] Faça visitas de surpresa à creche, jardim-escola, centro de dia ou escola da criança (14).

Levar as crianças a desconfiar dos próprios pais é um dos objectivos da engenharia social. A criança fica, assim, totalmente isolada, precisamente na altura em que mais necessidade tem da presença e do apoio de adultos – porque não só lhe incutem a desconfiança dos pais e dos parentes, mas até dos vizinhos. Porque os pedófilos são inúmeros, estão em toda a parte e atacam por todo o lado. Todos os homens adultos são potencialmente pedófilos. E onde é que se tem melhor acesso às crianças? Na família, evidentemente. Assim, segundo Catherine Itzin, Professora da University of Lincoln e feminista, os pedófilos podem até ser “homens de família normais, comuns”, que cometem os abusos “tanto dentro como fora da família” (15). O que implica que toda a população deve vigiar as famílias alheias. Como declarou Fátima Soeiro, Presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Braga: “As pessoas continuam a não se querer meter, mas têm de perceber que é essencial que denunciem as situações, mesmo que o façam de forma anónima” (16). “A ideia de que não nos devemos meter na vida dos vizinhos, porque é problema deles, tem de ser mudada”, sentenciou Dulce Rocha, Presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (17). E assim se aplica, graças à militância espontânea das comadres, “de forma anónima” ou não, um eficacíssimo controlo social.
Num artigo excepcionalmente lúcido, referente à situação nos Estados Unidos, Nev Moore escreveu no jornal The Massachusetts News de 6 de Junho de 2004:

Qualquer comportamento da criança pode ser usado para “provar” que a criança foi abusada pelos pais (isto só funciona para abusos parentais). Assim, se o seu filho é tímido ou simplesmente bem comportado, isto é documentado como “medroso e acanhado”. Se é activo e barulhento, está a “representar a sua incapacidade de verbalizar o trauma”. Se corre para o pai e se senta no colo, está a “identificar-se com o agressor”. Se a criança diz que os pais nunca lhe fizeram mal, está em “negação” e a “proteger o abusador”. Se os filhos dizem que gostam dos pais, então têm a Síndrome de Estocolmo. Ou uma ainda mais estúpida: os assistentes sociais dizem aos pais que “todas as crianças abusadas dizem que gostam dos pais, para que os pais não lhes façam mais mal”.

Nada é simplesmente um comportamento humano normal e previsível. Se as crianças são extrovertidas, sossegadas, plácidas, desobedientes, demasiado obedientes, limpas, sujas, barulhentas, afáveis ou temperamentais, tudo tem um “significado” profundo, negro e obscuro que “prova” que os pais cometeram algum tipo de abuso escondido, o que apoia a teoria da Segurança Social de que todos os pais são inadequados e abusivos.

Portanto, as crianças devem ser educadas pelo Estado (18).

Comentou a propósito o Dr. Bill Thompson, professor da Universidade de Reading, com a autoridade de um perito que um dia se viu falsamente acusado (19):

Se a criança anda a correr, ou se é dócil, a criança foi abusada; se é demasiado afectuosa ou demasiado distante, a criança foi abusada; se se riu ao ver alguém a largar gases, foi abusada satânicamente. Uma loucura; não há outra palavra para isto. Mas, pior ainda: se a criança não o admite, também quer dizer que foi abusada […]

E não havia descanso quando a criança ia ao hospital. Porque a primeira coisa que o pediatra notava era como a criança reagia ao exame médico. Agora imaginem! Se a criança é passiva, isso quer dizer que foi abusada, porque, se se sujeita, quer dizer que está habituada a ser tocada; mas se a criança for reticente, isso quer dizer que foi abusada, porque, ao esquivar-se, mostra que sabe o que vem a seguir. Em resumo: de qualquer maneira que a criança se comporte, foi abusada; e isto é antes do exame médico, que serve para encontrar qualquer coisa que possa ser apresentada como indício de abuso (20).

Entretanto, proliferam indivíduos e organizações que passam a concentrar os seus esforços na protecção dos menores e repetem à saciedade a afirmação de que uma em cada quatro raparigas e um em cada sete rapazes, mais coisa menos coisa, serão vítimas de abuso sexual antes de chegarem aos 18 anos – a não ser que o público contribua generosamente para os referidos indivíduos e organizações. Estes começaram a exercer grande influência sobre a sociedade a partir da década de 80, sobretudo nos Estados Unidos, e a movimentar quantias consideráveis, tanto de donativos do público, de políticos oportunistas em via de ascensão ou de jornais dispostos a aumentar a circulação a todo o custo, como de programas ou subsídios oficiais. Apenas um exemplo, referente ao National Center on Child Abuse and Neglect (Centro Nacional para o Abuso e Desleixo de Crianças), um organismo governamental americano de enorme influência social:

Em 1983, tinha apenas 1,8 milhões de dólares disponíveis para todos os tipos de investigação sobre abusos e projectos de demonstração (destes, só $237.000 eram destinados a estudos de abusos sexuais). A seguir ao escândalo de McMartin no ano seguinte, o orçamento do NCCAN aumentou para mais do quádruplo, e incluiu $146.000 só para Kee MacFarlane interrogar e examinar mais crianças da McMartin (Além disso, a CII [Children’s Institute International], a agência de MacFarlane, recebeu $350.000 em 1985 de fundos da Califórnia, o que fez do Instituto o primeiro centro de instrução de diagnóstico e tratamento de abusos de crianças naquele Estado a ser financiado com dinheiros públicos) (21).

A vertente económica veio a tornar-se tão importante – mais ainda do que os fins que esses indivíduos e organizações se propunham atingir – que deu origem a uma verdadeira indústria, que movimenta anualmente centenas de milhões de dólares e influi poderosamente nos meios políticos, podendo ser um aliado imprescindível em qualquer projecto de engenharia social. Em 1990, a indústria já contava nos Estados Unidos com 106.000 organizações fora dos sistemas educativo e de saúde, que tinham 603.000 assistentes sociais, 203.000 psicólogos, 222.000 conselheiros e 106.000 funcionários diversos. Estes números têm aumentado ainda mais desde então; hoje, a indústria emprega cerca de um milhão e oitocentas mil pessoas – quase o dobro de Exército americano!

O exército de funcionários públicos que é actualmente pago para atacar a santidade da família americana é maior do que o Exército Russo. É também uma ameaça muito maior para a nossa segurança nacional do que o Exército Russo, e é mais corrupto, e mais bem pago, e mais bem organizado, e mais apoiado. É também a colecção das pessoas mais estúpidas da América […]

Pode ainda ter algumas dúvidas sobre a razão para o “abuso de crianças” neste país ter aumentado 127 vezes DEPOIS de se ter formado este exército? Ou por que é que a maioria dos abusos de crianças ocorre com crianças entregues ao “Serviço de Protecção de Crianças”, ou nas unidades de psicoterapia criadas, enquanto as famílias das crianças são destruídas com falsas alegações de abuso de crianças, 3 milhões das quais são apresentadas por ano? (22).

E isto sem falar nos advogados que se especializam em processos cíveis contra alegados pedófilos, para obter indemnizações e custas tão elevadas que representam a destruição económica de pessoas que são muitas vezes inocentes.

Muitas pessoas descobrem que é muito terapêutico levar a pessoa que abusou delas à justiça. O advogado Timothy D. Kosnoff dedicou toda a sua carreira na advocacia a lutar contra os abusadores sexuais de todas as maneiras ao seu alcance. Passou mais de 10 anos a advogar agressivamente casos, não só contra abusadores individuais, mas também contra instituições que permitiram que o abuso ocorresse.

O advogado Kosnoff está sempre disponível para ouvir qualquer pessoa nos Estados Unidos que acredite que sofreu abuso sexual quando criança, ou que uma pessoa querida tenha sofrido. Tratá-la-á com a maior simpatia, ao mesmo tempo que perseguirá agressivamente os responsáveis. O seu trabalho como advogado tornou-o bem conhecido, devido a centenas de sucessos em prol de sobreviventes de abusos sexuais – mas, como lhe dirá sinceramente, os verdadeiros heróis são as pessoas que defrontam os seus abusadores e fazem com que os predadores sexuais nunca mais abusem de outra pessoa (23).

A comercialização da Justiça, que em Portugal tem avançado notàvelmente nos últimos anos, é um dos piores aspectos do que há de pior no capitalismo. Só ainda cá não chegaram os estabelecimentos prisionais privatizados – mas é só uma questão de tempo. A ideia já anda no ar.

(1) 24 Horas, 12.1.2007, p. 9; cf. também artigos n’O Dia de 25 e 27.2.1976. Um educador descreveu em Tribunal a situação como “uma balda”.
(2)Cf., por exemplo, SELLIER, Homayra e DARNAT, Stéphane – Internet, le paradis des pédophiles. Paris, Plon, 2003.
(3) As afirmações contidas nos trechos citados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.
(4) Cf. <users.rcn.com/kyp>.
(5) Society in jail, in <www.mises.org/story/2107>.
(6) In defense of women, Cap. 13; incorporado em A Mencken chrestomathy. London, Vintage Books, 1982.
(7) Sobre este tema, leia-se ELLUL, Jacques – Propagandes. Paris, Economica, 1990 (1a ed. 1962).
(8) Cf. BARBACETTO, Gianni, TRAVAGLIO, Marco e GOMEZ, Peter – Mani pulite: La vera storia. Di Mario Chiesa a Silvio Berlusconi. Roma, Editori Riuniti, 2002.
(9) É interessante notar que Pedro Namora propôs que se transformasse o escândalo da Casa Pia numa “Operação Mãos Limpas” (Correio da Manhã, 3.1.2003, p. 5). E ainda bastante mais tarde (cf., for exemplo, <www.youtube.com/watch?v=0XASscjpeLw&feature=related>).
(10) Basta um exemplo: segundo o jornal The Independent de 16.8.2006, o Governo britânico criou 3.023 novos crimes desde que Tony Blair subiu ao poder em 5.1997 até que foi substituído, e a Polícia estava já a exigir poderes para aplicar “justiça instantânea” em casos de comportamento anti-social.
(11) ALTHEIDE, David L. – Creating fear: News and the construction of crisis. Piscataway,NJ, Aldine Transaction, 2002.
(12) E isto apesar de, ao mesmo tempo, as autoridades fazerem por descriminalizar (isto é, legalizar) o consumo de drogas. Até a Organização Mundial de Saúde faz campanha para generalizar o uso de morfina como anestésico, por “não haver perigo de habituação” (!). Compreende-se: um drogado não se interessa por política, e por isso não causa problemas à oligarquia no poder. E a insegurança nas ruas causada pelo tráfico e consumo de droga preocupa tanto os cidadãos que estes não reagem contra certas leis repressivas ou impopulares, e muito menos se organizam para lhes fazer frente.
(13) Cf. <www.darkness2light.org>.
(14) Cf. <www.virtus.org/virtus>. As reacções das famílias a este programa nem sempre são positivas: cf. o artigo de Thomas Augustine, “Abusing God’s children”, com data de 14.9.2005 (<www.michnews. com/cgi-bin/artman/exec/view.cgi/196/9482>). Cf. também uma exposição da Coalition of Concerned Catholic Families sobre o programa, intitulada The USCCB ‘Safe Environment’ mandate: A tragedy of horrors (cf. <www.kettleriverusa.com/concerned_catholics/pdf_jpg_documents/Coalition_Tragedy_of_ Errors.pdf.pdf>.)
(15) ITZIN, Catherine (ed.) – Home truths about child sexual abuse: Influencing policy and practice. A reader. London, Routledge, 2000.
(16) Correio da Manhã, 6.1.2006, p. 5.
(17) Diário de Notícias, 28.11.2004, p. 24.
(18) Cf. <www.massnews.com/past_issues/other/6_Jun/junds4.htm>. Recordemos que Nicholas Rockefeller admitiu que a oligarquia que controla o Governo americano criou e financiou a “libertação da mulher” para que as crianças passassem a ser educadas nas escolas e não no seio das suas famílias, como seria lógico se a mãe não estivesse ausente de casa a trabalhar; facilitando assim a doutrinação das novas gerações (<www.prisonplanet.com/articles/october2006/281006rockefellerpredicted. htm>).
(19) O Dr. Thompson era criminologista de renome internacional e perito em abusos sexuais de menores. Em 3.2002, a Thames Valley Police arrombou as portas da casa e do gabinete do Dr. Thompson, na sua ausência, apreendendo computadores e vários documentos. Fora acusado de possuir pornografia infantil, o que era verdade, porque era parte do seu trabalho como perito judicial e estava autorizado para tal pelo Ministério do Interior britânico. Foi suspenso da Universidade em que era docente e deixou de ser aceite como perito em vários processos correntes. E qual foi o seu verdadeiro crime? Teve a ousadia de criticar a Polícia e de afirmar, com base em factos, que muitas pessoas condenadas por abusos sexuais de menores estavam inocentes. Bastava isto para ser um alvo a abater.
(20) Cf. <www.fayl.org.uk>.
(21) NATHAN, Debbie e SNEDEKER, Michael – Satan’s silence: Ritual abuse and the making of a modern American witch hunt. New York, NY, Basic Books, 1995, p. 127.
(22) Cit. de <christianparty.8m.com/ca.htm>.
(23) Cf. <kosnoff.lawoffice.com/PracticeAreas/Individual-Costs.asp >

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