Os irmãos de Abril (por Anabela Ferreira)

A todos os irmãos de Abril – “nem mais um soldado para as colónias”. A todos os que nasceram além-mar. A todos os que se cansaram da guerra e fizeram a paz. Há quarenta e quatro anos o vento cantava as palavras de Zeca Afonso e acordou-nos. Filhos e enteados. Irmãos de língua. Irmãos que…

Sem – abrigo somos todos (por Anabela Ferreira)

Nem sempre o sol brilha para todos mas cai no ocaso sem falhar ninguém.E, se hoje estou debaixo da sua luz,amanhã posso estar na sua sombra. Dedicado ao jovem sem-abrigo português que morreu em Londres,por causa do frio,na saída do metro do Parlamento. A ti sem-abrigo. Somos todos vagabundos em busca de abrigo seguro. Já…

Politica – A grande porca! (por Jacinto Furtado)

Certamente não passaria pela cabeça do Mestre Rafael Bordalo Pinheiro que a capa do número 1 da Paródia, publicado no dia 17 de Janeiro de 1900 fosse duma actualidade acutilante e preocupante passados 117 anos, provavelmente ainda mais acutilante e preocupante do que na data da sua publicação. Politica, a grande porca! Tal como raposas…

In dubio pro reo (por Anabela Ferreira)

In dubio pro reo ou um caso da mulher de César – a vítima tem de parecer não apenas ser vitima. Porque razão uma vítima de violência não apresenta queixa do seu agressor? Porque razão uma mulher independente ou não, culta ou não, educada ou não, com família,amigos e autónoma, ou não, não larga o seu…

“olé,olá jesus cristo é o melhor que há”…

De seitas e cultos Gosto muito da iurd e de outras seitas e cultos do género. Mas gosto mais de vacas. Estas salvam-me e oferecem-me o paraíso na terra sob a forma de queijo e manteiga. Só não gosto de pastores – quando se fazem passar pelo Deus James Brown ao imprimir soul, funky e…

O País dos Franzidinhos (por João Prudêncio)

Chamava-lhe, cá para mim, o Franzidinho. Na Baixa de Lisboa, entre os transeuntes, lá estava ele todos os dias, agachado nas escadas do Metro, fingindo a cegueira na calçada portuguesa do Rossio, de mealheiro profissional e tudo. Quando não era cego era paralítico. Depois, noutras ocasiões, o Franzidinho (assim lhe chamava cá para mim porque…