Os zés de ninguém

Sem surpresas vemos o rosto bruto e feio da natureza humana. A pobreza é um negócio que dá grandes lucros. Os que dela se aproveitam são o seu capital. Por estas simples razões convém tê-la – à pobreza – sempre num palanque elevado. Que o digam os pouco sérios que lucram com os zés-de-ninguém. Os…

Os retornados

Os silvos das balas nas copas das árvores aterrorizavam tanto mais velhos quanto crianças. O medo e a insegurança instalavam-se no rosto e no coração de quem vivia em Luanda. Comprimiam-se nas bichas para o pão com papelinhos de racionamento. A vida tornava-se impossível. “Pega na tua família e vai-te embora. Já não há lugar para ti nesta terra.…

Esperança, do verbo esperançar

Queria escrever sobre papéis que foram parar a paraísos e nos fazem andar – a nós os pré indigentes em insolvência – a amargar desde mil novecentos e tantos. Mas, a história já a conhecemos, desde que as ginjas descontentes sem chuva nos fazem serenatas ao ouvidos. Podemos quase comparar a história dos três porquinhos e do lobo mau,…

Não penso, logo existo!

As vítimas de abusos – sexuais ou outros – não são culpadas. Culpados são os agressores. Culpados são os que se sentem confortáveis nas suas posições de poder e por isso se consideram impunes. Porque esse poder lhes é oferecido e à sua volta os olhos estão bem fechados. Este é um axioma que deveríamos…