(des)Protecção Civil

O dia começou com a revelação feita em alguns órgãos de comunicação social de que, a protecção civil tinha andado a distribuir kits de emergência compostos por materiais inflamáveis.

O dia começou, pelo menos para mim, com o estranho desejo de que estivesse a ler mais um chorrilho de notícias falsas, daquelas que se vê logo à distância que são treta, mas mesmo assim fazem alguma mossa a quem não tem dois dedos de testa e emprenha pelos ouvidos.

Não só a notícia não era falsa como alguém resolveu ter a ideia peregrina de vir tentar justificar o que é injustificável com a explicação mais imbecil possível, dizendo que os tais kits não eram kits, eram apenas materiais de promoção e divulgação.

Não fosse o caso de estar a escrever para o Notícias Online, as próximas frases seriam todas compostas pelo mais rebuscado vernáculo:

Ora se fossem para a $#=?# que os &%$#… Que grandes $%#”/&… Vão mas é %&$#” %$&%#

Contactada a empresa que vendeu os criminosos kits pela módica quantia de 320.000€, eu repito, trezentos e vinte mil euros do nosso dinheiro informou que tinha apresentado uma proposta para que os já referidos kits criminosos fossem produzidos em material ignífugo, mas que a (des)protecção civil tinha recusado a proposta por considerar que era muito dinheiro. Não foi revelado o valor da proposta para o fornecimento de kits a sério, mas seja qual for o valor é de todo irrelevante. O que é relevante é que a (des)protecção civil forneceu kits de brincar a populações isoladas que merecem ser tratadas com seriedade e não com brincadeiras.

Antes de continuar este desabafo uma pequena nota, a empresa fornecedora não é minimamente responsável por esta situação, foi contratada para fornecer um produto, apresentou proposta, recebeu a adjudicação e forneceu o que lhe tinha sido encomendado. Em relação à empresa fornecedora é ponto final, assunto terminado.

Quanto à (des)protecção civil não é, nem pode ser, assunto terminado por variadas razões algumas graves, outras muito graves e outras ainda a roçar o crime, pelo menos na forma tentada.

Ainda estava eu a tentar digerir esta bestialidade quando recebo no mail um comunicado de imprensa da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil. Oo que diz a autoridade nesse seu comunicado de imprensa? Pois bem, diz que o programa “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras” resulta duma resolução do conselho de ministros que visa, cito, “capacitar as populações no sentido de reforçar a segurança de pessoas e bens, mediante a adoção de medidas de autoproteção, e a realização de simulacros aos planos de evacuação das localidades” blá blá blá. Diz mais, continuo a citar, “neste sentido, no âmbito da campanha nacional de sensibilização para a prevenção de comportamentos de risco e para a adoção de medidas de autoproteção, foram produzidos e distribuídos diversos materiais de sensibilização, designadamente o Guia de Implementação dos Programas, os Folhetos de Sensibilização multilingues, a Sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e os kits de emergência”. 

Leram bem? Foi distribuída sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e kits de emergência! Uma nova questão se coloca. A sinalética também era a brincar? Indica o caminho de fuga para a direita mas afinal é para a esquerda?

Então distribuíram Sinalética e Kits de Emergência mas nada disso era a sério? Era tudo a brincar?

É preciso ser uma grande besta para, sentado num gabinete na autoridade nacional de (des)protecção civil pensar que a populações isoladas, muitas delas com um elevado défice de conhecimento académico e informativo tendo um “kit de emergência” fornecido pela (des)protecção civil vão deixar de o utilizar porque, embora seja de emergência é só para emergências a brincar. 

Se era para ser a brincar não se gastavam 320.000€, fazia-se apenas a formação das pessoas, explicava-se o que deviam fazer e como deviam fazer em vez de lhes por nas mãos um kit que não sendo de emergência pode ser um kit de morte.

Esta bestialidade da (des)protecção civil consegue fazer parecer uma coisa quase insignificante a bestialidade do presidente câmara de Mação de proibir o abastecimento das viaturas dos bombeiros de combustível. 

Não venham os costumeiros comentadores da clubite da oposição ou da clubite do poder com a treta da conversa da partidarite. Embora, como em tudo, tenha de haver responsabilidades políticas estas têm de começar pelas responsabilidades técnicas e operacionais de quem deu a ordem. Não adianta ter a cabeça dum secretário de estado ou de um ministro servida de bandeja se os anormais que fazem estas &%#$& não forem, em primeiro lugar, responsabilizados e punidos pelos disparates.

Não fosse estar a escrever no Notícias Online e terminaria com o que me apetece dizer desde que tive conhecimento deste caso: 

Ora se fossem para a $#=?# que os &%$#… Que grandes $%#”/&… Vão mas é %&$#” %$&%#… Vão brincar com o #$%&%#

Jacinto Furtado

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