Eduardo Cabrita… Empata ou Facilitador?

O ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, quer, em nome da segurança rodoviária implementar três medidas novas:

  1. Reduzir a velocidade dentro das localidades para 30 kms hora, sim leram bem, trinta kms hora;
  2. Obrigar os motociclistas que desde 2009, tendo carta de condução categoria B e mais de 25 anos, podem conduzir motociclos até 125cc, a obterem carta de condução especifica;
  3. Decretar a inspecção obrigatória para os motociclos.

Se considerarmos a primeira medida aqui elencada será seguramente um empata! Este final de semana dediquei-me à árdua tarefa de conduzir a 30 Km/hora dentro das localidades. É uma experiência deliciosa, é mais ou menos o mesmo que andar com um carrinho de supermercado mas sem aquela parte chata de ter passar pela linha de caixas e pagar a despesa. É excelente para ver a vida a passar, literalmente a passar, até uma velhinha num passeio esburacado consegue ser mais rápida com o seu andarilho que um carro a circular a 30 Km/hora!

Desafio todos os condutores a darem já inicio a uma semana de experiência, preferencialmente nas zonas onde circula o senhor ministro, vamos todos circular a 30km por hora sem ligarmos aos “elogios” que algum apressado nos possa dirigir, a nós ou às nossas progenitoras. Circulemos a 30 km/hora e, já agora, não deixemos a comitiva ministerial ultrapassar-nos (ou há moralidade ou comem todos). Vai ser lindo! Vai deixar o famoso bloqueio da ponte 25 de Abril, nos tempos do Dias Loureiro (que será feito deste moço e dos milhões do BPN), uma brincadeira de crianças.

Esta medida, claramente não passa de areia nos olhos. Eduardo Cabrita aprendeu com o anterior governo que quando quer fazer alguma coisa menos correcta primeiro causa a revolta com uma medida que na prática não quer implementar, distrai a malta e depois “arrefinfa”!

Eduardo Cabrita não é, nem quer ser um empata, esta ideia de reduzir a velocidade dentro das localidades é apenas o engodo. O que Eduardo Cabrita quer ser é um facilitador de negócios. Em 2009 o governo e muito bem decidiu que quem tivesse carta de condução categoria B há mais de 2 anos e mais de 25 anos podia, sem mais, conduzir veículos da categoria A, ou seja, motociclos de cilindrada não superior a 125cc.

Vem agora o ministro, facilitador, com alarmismos irreais sobre o número de acidentes nas estradas que vitimaram mortalmente motociclistas. Este alarmismo, vindo dum ministro, devia ser para levar a sério mas, não é!

A Federação de Motociclismo de Portugal foi à pesca e analisou os números dos últimos 23 anos, em 1995 morreram 610 motociclistas, em 2017 (até Outubro) tinham morrido 110. Os números têm vindo, felizmente, sempre a descer e são números absolutos não consideram o crescimento do parque de motos que, só nos últimos 10 anos aumentou 51,8% sendo que o número de mortes no mesmo período teve um decréscimo de 41,8%.

A quem interessa esta inverdade do ministro?

À industria das escolas de condução, obviamente, até se babam com a ideia de poderam facturar à conta dos incautos que pensavam que o estado era pessoa de bem que, quando legislava, podiam confiar, na volta, as legitimas espectativas dos cidadãos saem goradas. Quem comprou mota fiando-se no estado pode vir a ser enganado e, das duas uma, ou vende  pelo melhor preço, certamente mau pelo desinteresse que as 125cc passarão a causar, ou terá que alimentar o parasitismo das escolas de condução.

Um representante desta industria comentava com ar boçal que acha muito bem, porque “não faz sentido que quem tem carta de condução possa conduzir uma mota, sabe-se lá se as pessoas têm equilíbrio para andar de bicicleta”. É preciso ser muito anormal para ter um comentário destes. Não sei como não passou pela cabecinha deste iluminado sugerir que quem tem carta de condução categoria B apenas pode conduzir um carro com 1000cc, sabe-se lá se o condutor tem unhas para conduzir um carro mais potente.

O mesmo se passa com as inspecções periódicas às motos, não há nenhum elemento que justifique alterar a dispensa de inspecção, até porque o parque é brutalmente recente. Esta medida, uma vez mais, apenas se justificará numa politica facilitadora de negócios e no interesse dos centros de inspecção e seus proprietários.

Eduardo Cabrita não é um empata, é um ilusionista, distrai o povinho com a velocidade de caracol para poder facilitar os negócios de duas indústrias que têm mais deméritos que méritos.

Jacinto Furtado

 

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