Hospital Amadora Sintra sem cadeiras de rodas

Desloquei-me ontem ao hospital Amadora Sintra com a minha mãe, de ambulância, para uma consulta de cardiologia.

Só se desloca para consultas e exames de ambulância. É portadora de várias doenças, nomeadamente tumor no pulmão para o qual fez radioterapia que o estagnou mas agravou as dificuldades respiratórias e o inerente cansaço. Teve um enfarte e tem várias próteses nos joelhos e na anca que a impedem de andar mais do que meia dúzia de passos – e são mesmo meia dúzia – e por isso onde quer que vá tem que ser transportada em cadeira de rodas. Está em casa sempre na cama e só se desloca para consultas e exames de ambulância de onde é tirada para uma cadeira de rodas. Ontem no Hospital Amadora Sintra não havia cadeiras de rodas. O bombeiro foi buscar uma cadeira avariada e com os pneus vazios e transportou-a assim até ao átrio de inscrição da consulta, onde havia duas funcionárias, uma delas sem mascara. A outra fez a inscrição e a seguir expliquei-lhe que precisava de ajuda para empurrarem a cadeira da minha mãe até à consulta, uma vez que tenho uma prótese na cervical que me impede de fazer esforços. Ela disse-me logo que não levava, embora não houvesse mais doentes para inscrever (a sala estava vazia).

Procurei então uma auxiliar que se negou a levar aquela cadeira avariada e que me informou que não havia cadeiras de rodas. Ela ia buscar uma para transportava a doente até à sala de espera da cardiologia e deixava-a lá, depois logo se via. Assim foi, o problema é que a sala de espera ficava longe do gabinete da consulta. Longe para quem se cansa ao quarto passo. Quando a médica a chamou, o que aconteceu meia hora antes da hora marcada tive que ir ao consultório e dizer que a minha mãe ia levar muito tempo a chegar ali. E passo a passo agarrada a mim lá chegámos, já que a doutora era tão importante que nem se ofereceu para ajudar, o contrário do que fazem todos os médicos noutros hospitais, que são os primeiros a ajudar.

A consulta foi “uma coisa qualquer” em que ela viu um ecocardiograma feito há um ano e disse que estava bom. Questionei-a sobre a validade de um exame ao coração com um ano e ela repetiu-me que estava bom e eu repeti que tinha um ano como é que ela sabia como estava agora? disse-lhe ainda que era costume fazer um electrocardiograma cada vez que ia à consulta. Perante esta minha insistência ela mandou-a fazer o electrocardiograma que era noutra sala mais longe. Punha-se novamente o problema de ela andar a pé e a resposta da médica foi a seguinte: “se quiser ir vai, senão quiser não vai”. Como se se tratasse de querer. Não é querer é poder. Conforme pude a ajudei a deslocar-se para fazer o exame. Encontrámos mais uma técnica mal disposta, sem doentes e com certeza aborrecida por irmos interromper o seu descanso. Feito o exame passámos á aventura do regresso ao consultório para ela nos dizer que estava bem, apenas com uma “coisinha”. Marcou outra consulta para Fevereiro e um exame cuja marcação devemos aguardar e que segundo ela não sabe se será marcado antes ou depois da consulta.

A seguir pedi-lhe que me arranjasse uma cadeira para sentar a doente à porta do consultório e poder procurar uma auxiliar que trouxesse uma cadeira de rodas para a transportar. E consegui, uma senhora muito simpática, afectiva, profissional, que a transportou e tratou com toda a delicadeza para a sala de saída onde esperámos pela ambulância.

A minha mãe há um ano e meio que não tinha consulta de cardiologia. A explicação que nos deram pelo telefone era que o médico dela se tinha ido embora e ela estava numa lista de espera. Farta de esperar, pedi nova credencial no centro de saúde onde tenho a sorte de ter um médico bom. Três meses depois veio a marcação da consulta. Para nosso espanto ficámos a saber ontem que o médico não se foi embora, está lá. Esta é a organização daquele hospital, onde todos fazem o menos possível e onde tratam mal os doentes.

Á entrada do hospital estava um segurança com uma banca com frascos de alcoól gel e com uma caixa de mascaras e uma pinça na mão que distribuía ás pessoas que queriam. Não havia um funcionário que fizesse esse trabalho. Que desse alcoól gel aos doentes que lhes medisse a temperatura e que lhes fizesse as perguntas da praxe sobre os sintomas da covid19. O segurança limitava-se a dar máscaras a quem queria, nem sequer lhes perguntava de quando era a máscara, e, nem devia de fazer nada daquilo porque frequento assiduamente os hospitais de São José, Capuchos e da Cuf e todos eles têm um ou mais funcionários a praticar estas normas. Ali não.

O balcão de atendimento geral poucos funcionários tinha, nem metade. As salas de espera de consultas por onde passei estavam todas vazias.
Onde estão os doentes? Onde estão os funcionários? Os hospitais que frequento têm as salas de espera todas ocupadas com o devido distanciamento social e têm tudo a funcionar, mais a CUF do que qualquer outro, mas este não.

O hospital está cheio de novos equipamentos, nomeadamente bancos para os doentes se sentarem e salas onde foram feitas grandes obras mas cadeiras de rodas não há. Ouvi no rádio de um segurança um apelo para encontrarem uma cadeira de rodas para uma criança que tinha o pé partido. Não é só nas consultas que faltam as cadeiras de rodas, é no hospital todo e isso é inadmissível.
Também não há consultas de pneumologia presenciais, só por telefone. Não, não é brincadeira, é mesmo verdade. A minha mãe tem cancro no pulmão e há mais de um ano que não tem consulta de pneumologia, nem presencial nem pelo telefone.

Quem tiver dúvidas sobre o que leu, vá lá.
Por um bom SNS substituam os dirigentes deste hospital, pela nossa saúde.

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