Je suis humor (por Anabela Ferreira)

Recordam-se do ataque terrorista ao Charlie Hebdo? 
Recordam-se de uns humoristas dinamarqueses serem proibidos de fazer humor?
Ambos porque ofendiam os muçulmanos ao apresentar graficamente o profeta e A
Vieram todas as virgens ofendidas (incluídas as prometidas no céu) e desataram a matar os humoristas levando à letra o ensinamento religioso “matai-vos uns aos outros”. 
Ah e tal não se goza com religiões, nem com a homossexualidade do Infante D.Henrique (lembram-se da censura ao Herman José, pai – e ainda bem – do humor irreverente em Portugal?).
Agora à fogueira com o João Quadros (Produções Fictícias) porque escreveu uma piada política que eu interpretei assim: 
-O PPC fez declarações xenófobas (mas não foi parar à fogueira) num certo discurso(“não queremos qualquer um a viver em Portugal- talvez referindo-se a estrangeiros a cumprir penas, ou talvez ouvindo o seu inconsciente). 
O Quadros larga uma piada com a associação do discurso aos nazis-cabeças rapadas dizendo “que afinal não existe só uma cabeça rapada em casa do Passos”, nada relacionado com o cancro da Laura a sua mulher. Apenas a cabeça rapada como os cabeças rapadas nazis, repito.
Ofende quem? a Laura? Quem tem cancro? Quem morreu com cancro? Quem perdeu gente para o cancro? Quem rapa a cabeça por causa da doença? 
Apenas serve a carapuça desta piada aos cabeças rapadas, movimento nazi, xenófobo, racista, que defende entre outros o nacionalismo bacoco e idiota implícito no discurso de Pedro no Pontal. Que a ele sim fica muito mal.
Há piadas que não gosto outras não entendo.Não esta. Sobretudo não entendo restrições ou censura ao humor que nos perigosos dias de hoje se está a tornar mais o 4º poder, perdido pela Comunicação Social, ao mostrar através da sátira os pés de barro dos políticos e políticas, em casa e pelo mundo fora. 
Quem não gosta da piada arranje uma vida. Não leia, passe em frente, bloqueie, desligue a internet e cague no assunto. Vá comer uma bola de berlim ou sentar-se à beira do mar a chupar percebes. Garanto que é relaxante. Mas deixem os humoristas em paz. 
Ofensa são os que mandam ou querem mandar, gozarem com a minha vida transformando-a num dia-a-dia de “stress” permanente, não me deixando espaço para rir.
 
Je suis humor!!

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