Mea culpa (por Anabela Ferreira)

GetAttachment (1)Vá, que os mercados não se enervem…está tudo resolvido.

Declaro a todas as entidades, famílias e tribos que a culpa é toda minha.

Se bem que o Senhor Schauble e a senhora Merkel sejam cavalos de Tróia nas vidas dos portugueses, se vierem a ter problemas com o seu banco, a culpa é minha.

A Alemanha perdeu a guerra mas a filosofia por trás está claramente a vencer. E a culpa também é toda minha.

Se mais algum banco tiver de ser salvo ou mais austeridade for imposta, ou mais alguma crise financeira/económica acontecer, não importa onde, declaro que:

-sim! fui eu que vivi acima das minhas possibilidades e a culpa é minha. Vou pagar porque sim. Enquanto me chicoteio e canto: ai destino, ai destino…

Não é uma teoria da conspiração é assim que nos impõe, com a nossa benevolente aceitação, ignorância e passividade as piores torturas.

Nos dias que voam, assim se empresta e fabrica dívida para de seguida sem meios para a pagar, sermos chantageados e forçados a abrir a porta de casa aos ladrões de gravata para que pilhem o que quiserem. E a ficarem com a nossa casa onde nós passamos a ser os seus servos.

Como nós portugueses fazíamos no tempo das Descobertas. Sacávamos, pilhávamos, escravizávamos, matávamos. Assim são as instituições que nos descobrem, governam e defraudam a vidinha. Reconhecem-se a abrir a porta de casa? A culpa é da vítima claro. Andava a pedi-las ao mostrar a coxa…Agora já se vêem as cuecas de tanto que nos agachámos.

Soluções? Abrir os olhos e não cooperar. Perceber o jogo e passar para o nível de consciência de que a corda nos ata o pescoço. E aperta. E não cooperar com o carcereiro.Deixar de nos inclinarmos. Há exemplos de quem vença guerras assim?

Há! Ghandi fê-lo. Muitos outros suicidaram-se e eu, como diz o poeta, não estou nada bem. Não, não é nada que me arraste para uma morte no cadafalso. Quero é deixar de ser a vitima deles.

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