Mexilhão e Lagostim

lagNo país dos populistas, treina-se o tiro ao pobre.

No país dos populistas, o alvo são os beneficiários do Rendimento Mínimo, os desempregados, os pensionistas, os reformados.

No país dos populistas, os verdadeiros ladrões passam incólumes.

No país dos populistas não é crime ser “boy”, nem banqueiro fraudulento, nem autarca corrupto, nem governante mentiroso, nem acumular empregos ilegalmente, nem distribuir contratos pelos empresários amigos, nem fugir ao fisco, nem ter contas offshore, nem branquear dinheiro sujo; mas é crime faltar às apresentações quinzenais do desemprego, não aceitar os 83 euros mensais para um trabalho (que seria já de si mal pago) de 600, recusar comparências nos centros de emprego.

Crimes sem direito a julgamento, nem presunções de inocência. A pena é o próprio direito à subsistência e a um tecto, à partida garantidos em qualquer prisão, com mais ou menos cozido à portuguesa.

No país dos populistas governa-se para as ideias preconcebidas da classe média, acicata-se o ódio de classe dos que sobrevivem cada vez mais a custo contra os desgraçados do RSI, atribuindo-lhes a culpa de tudo, convencendo toda a gente que todos eles têm mercedes e porches à porta, enquanto se lhes retira rendimento e aponta o caminho da sopa dos pobres (a que chamam agora cantina social), da misericórdia ou do banco alimentar.

Enquanto isto, no país dos populistas, a verdade oficial proclama agora que não é o mexilhão que se lixa. Para essa mesma verdade oficial, os desgraçados que trabalham nas escolas e autarquias deste país oito horas por dia a troco de menos de 100 euros, eles e os milhões todos os dias roubados, maltratados, a quem foram sonegados o pão e a dignidade, de uma forma ou de outra, não se lixam.

Faltou complementarem: para quem governa, quem se lixa são os que ganham de X para cima (quanto será?) em empregos de topo, têm grandes empresas, de preferência herdadas, andam de avião privado, têm património imobiliário a rodos, ferraris ao lado de fábricas onde pagam 505 euros aos empregados.

Quem se lixa são os que mais roubam, legal ou ilegalmente. Segundo esta nova verdade, quem se lixa agora é o lagostim!

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