“Não deverás ser uma vítima, não deverás ser um criminoso, mas acima de tudo nunca deverás ser um espectador”. Inscrição no Museu do Holocausto em Washington. (por Anabela Ferreira)

Hoje 72 aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz.

 

Primeiro mandaram calar os cientistas mas eu não disse nada porque não era cientista,
depois vieram buscar os ilegais mas eu não falei porque não era ilegal,
depois vieram pelas mulheres mas eu não as defendi porque as lutas do género não me representam
depois desrespeitaram -de novo- tratados seculares com os índios – colonizados e roubados- mas eu não falei por eles porque não era índia
depois inventaram os factos alternativos para esconder a verdade mas eu como era cega e só via o que eles queriam que eu visse não me manifestei
depois construíram mais muros e eu ajudei a construi-los porque me pagaram e eu precisava comer,

até me virem buscar…e já não haver ninguém para fazer uma ponte e me salvar

O poema irá continuar porque a realidade- não um facto alternativo- é que eles não se preocupam com as nossas vidas. Chega de palhaçada.

Desde 2001- a mudança trágica da era moderna – primeiro veio um burro muito burro, depois veio um lobo comprado vestido de cordeiro, agora um doente mental grave em fase de internamento compulsivo. Com esta espécie de gente, o mundo regressou ao faroeste do século XIX. Todos dispararam em todas as direcções, semeando o caos e impondo o medo.

Na economia deixaram que 30,20,10 e agora apenas meia-dúzia de corporações tomassem conta dos estados e das vidas dos cidadãos sem pagarem um cêntimo do dólar ou do euro em impostos (a UE é o reboque dos EUA e África já está nas mãos da China o gigante da próxima guerra-fria) e como prémio recebem ainda mais desregulação. Enquanto os homens representantes do Estado espalham despudoramente a sua propaganda. Nós engolimos contentes, surdos, cegos e mudos.

O karma agarrou os ianques “by the balls” com o ogre e a todos nós por tabela. Aqui estão os verdadeiros jihadistas e os ataques terroristas que nos devem fazer pensar. Se ainda há esperança em todos estes palhaços? Será como tomar um litro de 605 forte em jejum, ligar ao 112 e desejar ser encontrada com vida.

Porque razão me hei-de preocupar? Ora leiam o poema de Niemoller e de Brecht.
Mas se querem mesmo saber é porque esta merda do mundo está toda ligada, nós humanos também, eu que queria ser um passarinho mas estou envolvida sem querer. E, ainda não sei como me mudar para um mundo paralelo a meu belo prazer.

Sentemo-nos pois como espectadores a assistir ao circo?

Roma arde e o rei vai nu.

Afinal a guerra nunca terminou.

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