Nessun dorma

Vivemos para morrer. Talvez seja esse o fim do começo de tudo. Enquanto vivemos é na expressão da linguagem que mostramos quem somos. Talvez este seja o objectivo do começo e do fim da vida. Do nosso potencial como consciência. Como humanos. 

Hoje quero escrever sobre dois assuntos, censura e mulheres. 

Somos vigiados pela rede e uns pelos outros. Sempre foi assim e sempre assim será. Um algoritmo vigia as contas do facebook. Apenas distribui os meus postais a meia-dúzia de três pessoas dos meus 700 amigos. Só dois se dão ao trabalho de ler. Tanto postais como eu somos irrelevantes. Até aqui vivo confortável. Já acho curioso ter seguidores e pessoas com igual grau de doidice. Não vivo para os “gostos”. Mas importa-me ser lida e que se faça algum debate ou quiçá receber outros pensamentos para discussão. Por isso aqui estou e acho este espaço importante, mesmo não deixando de concordar com Umberto Eco que dizia que estas plataformas são não apenas palco mas o caldo quentinho de acolhimento de idiotas. 

Tirando as convicção profundas que se prendem com querer estar num mundo mais saudável com mais oxigénio que dióxido de carbono e menos idiotas  – como no caso das ditaduras –  nesta comunidade de muitos amigos, tribo e alguns desconhecidos, gosto como o meu avô Flintstone, de partilhar ideias, contar histórias, risos e chamadas de atenção didáticas sobre o mundo como o vejo (virado do avesso). Incluindo este mundo do “olho que tudo vê” e da mentira que é a liberdade de expressão desta rede ou da falsa democracia na qual estamos todos a envelhecer. Somos unicamente “carne para canhão”. 

Ou consumíveis. Aceito as regras do jogo porque quero estar aqui a mandar as minhas papaias e deixar a minha pegada que um dia o mar vai apagar.

But…(há sempre um rabo), o algoritmo está atento e não me difunde. E, alguém me denuncia porque ofereci uma opinião – e retrato e o texto – da qual não gostou.

Ao algoritmo aliou-se nesta comunidade azulzinha, o lápis azul de uns censores que ao verem uma imagem de um puto nu (de lado) a mijar numa fonte, com um texto meu, publicado há uns anos, pôs-me de castigo por 3 dias. 

Nesta comunidade não faltam pedófilos, violadores, maridos que batem nas mulheres, nazis, “haters”, mal-educados, dissimulados e  toda a casta de gente simpática que observa o mundo com ódio ao semelhante. Fiéis seguidores da sandália. Juízes netos. É assim e sempre assim será (tal como o mantra desta rede). 

Fui alvo de denúncia e castigo por crime de opinião dita como sempre sem filtros…Engraçado.

Passados os três dias, eis que sou surpreendida com mais 3 dias de castigo (nem o meu pai nunca me pôs tanto tempo de castigo). Sem explicações (já não têm fotografias de nudez com que me castigar). Alguém denunciou um texto ao grupo do lápis azul. Engraçado. 

Como se diz em Moçambique alguém ficou “incomodado”. Fico contente. Significa isto ser eficaz. Sabendo eu que sou absolutamente irrelevante aqui na rede. Estar ou não estar aqui, para os meus amigos é-lhes igual. O que eu escrevo também não os incomoda. Obviamente 1 energúmeno – que certamente não é pessoa das minhas relações – sentiu-se ofendido e vai a correr fazer queixa ao papá para me dar tau-tau. À perigosa criminosa de vida dúbia…

Já não é a primeira vez que sou censurada. Não é a primeira vez que sou insultada pelas minhas opiniões e as escrever. Algumas são eficazes e incomodam. Deixar um insulto nos comentários seria expor-se. Melhor denunciar… vai para o castigo!

Pois bem, quando sair do castigo mais irei escrever, mais irei opinar. Mesmo que incomode. Sobretudo se for para incomodar. Aliás não tenho outra razão para escrever. Por ser consciência. Por ser o meu potencial como humana.

Assim farei, até ser de novo censurada ou me apetecer deixar esta comunidade com alguns idiotas.

Continuarei também a expressar-me nos canais de sempre, o site NOL e o jornal de Monchique. 

Como não pude publicar o texto, segue hoje dia de qualquer mulher. 

Anabela Ferreira

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