No reino da alforreca (por Anabela Ferreira)

Eu disse que ia bani-lo e fazer um muro entre nós mas desisti. Esta é demasiado boa para eu deixar passar e perder a oportunidade de imaginar um diálogo silencioso a partir do retrato. Até fiquei mais leve.

M & T

M – Ó cabeça de abóbora não te mexas nem pies. Aqui quem manda sou eu! Os meus pastores alemães são mais inteligentes e competentes que tu. Sorri de fininho, não respires e fica caladinho que é a única forma de te suportarmos. Não imagino como vieste aqui parar mas não quero que me apertes a mão porque nem confio em ti nem aperto a mão a imprestáveis vazios como tu. Tenho um ministro sinistro – o que é uma redundância- mas pelo menos ajuda-me a mascarar as contas do Budensbank, enquanto a tua serventia é igual à do gustavo santos a curar-me da depressão por ter de vir à terra dos Índios apertar-te a mão. Senta-te e fica sossegado!

Suspirando fundo M diz a si mesma…ai ai, devia ter tomado uma dose extra daquela erva fabulosa dos mexicanos que me deram na fronteira, para aturar esta alforreca. Pensando bem, acho que afinal esta viagem vai-me servir para convidar uns quantos destes emigrantes baratinhos para trabalharem na Alemanha…se calhar até os americanos querem ir para se verem livres desta coisa. Como os compreendo! Xiu…caladinho!!

T – Ó huge vaca! Não sei o que estou aqui a fazer nem isso interessa nada…Mas sou great!
Ao contrário, tu só tens é um huge rabo e a única coisa que tens de bom – disseram-me – é o muro numa cidade qualquer da tua terra. Hei-de perguntar à Conway se podemos ir buscá-lo. Depois dizemos que os americanos – somos great again – o deitámos abaixo e eu tweeto um facto alternativo para distrair.
Não há ninguém melhor do que eu ouviste, eu sou mais inteligente que todas as alforrecas do mundo. Eu sou great! Vou ficar na história como o mais…well, hei-de arranjar uma palavra.
Os teus pastores alemães são como tu, boring! Tu és boring! e mandas aqui…por enquanto. Ao pé de mim as mulheres encolhem-se excepto tu fu..k…tu és um pastor alemão e até eu tenho medo.
Espera o dia que me possa vingar agarrando o teu big rabo para te assentar dois tabefes e voltas a perder a guerra- disseram-me que perdeste já duas mas se calhar isso das guerras é um facto alternativo. Não vi nada na TV. Tenho de perguntar à Conway…

a alforreca pensou com os seus botões (os únicos que o ouvem)- ai ai, como eu queria ter tomado mais uma dose daquela erva ilegal dos horríveis mexicanos. Se calhar vou mandá-los emigrar com a pastora…
Tenho medo de te apertar a mão…aposto que me arrancas o braço…vou fazer de conta que não estás aqui, faço uma birra e não te aperto a mão,pronto! pronto já me calei bruxa!
eu sou great e isto é uma seca! devia ir tweetar para relaxar…

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