O NOSSO RIO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há tanto tempo reduzido a duas margens
asfixiado pela corrente e raízes com braços de terra
o nosso rio transbordou.

De todos os mares naufragado
com a sede de todas as fontes
o nosso rio galgou os dois lados da vida
molhou, pingou os pássaros, as pedras
as casas em ruínas.

Mergulhou para cima, o nosso rio.
As águas furaram primeiro os pulmões dos peixes;
desinquietaram-nos.
Depois correram por dentro das pessoas, das árvores,
do vento.
O rio subiu pelo ar, inundou as nuvens, os céus. Cavalgou
como foguetão de água
para fora do mundo.

Aquáticos astronautas, nadamos no nosso rio pela
seiva do Universo.

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