Odeio a malvada dona Educação e os Professores

Possuo alguns instrumentos científicos para medir capacidades ministeriais, sobretudo de três pessoas centrais num governo: o primeiro-ministro, o ministro da Saúde, e o ministro da Educação não necessariamente nesta ordem. Enquanto fui construindo a minha licenciatura em Educação via com horror o que se estava a destruir. Os professores não tinham punho para dar o murro na mesa. O punho já tinha uma artrite avançada.

Como nos demais sectores da vida, a Educação foi minada, manipulada e os professores receberam o ónus da prova. Tornaram-se os objectos do ódio. E nós bem manipulados, engolimos. Odiamos a vitima não o carrasco. Levaram-nos à exaustão, à solidão, ao ódio, ao desgaste. Estão-nos a ganhar. Nós como figura colectiva e os professores como classe que tem por missão abrir e mostrar caminhos estamos no tapete a esvair-nos em sangue.

Há maus professores, maus primeiros-ministros, maus em qualquer área. Há humanos por isso que ninguém se admire. Diabolizar uma classe significa que querem “dividir para reinar”. Um veneno que nos dão e que engolimos sem pestanejar.

Quando não se consegue tratar professores em primeiro lugar, médicos (os últimos não existiriam sem os primeiros, nem o primeiro-ministro chegaria a primeiro sem os primeiros), com a dignidade, respeito e consideração que merecem, porque são eles os verdadeiros heróis – comandantes desta aeronave desgovernada em que se tornou o ministério da Educação, o meu instrumento assinala “error found” e termina com a mensagem missão abortada.

Falhada está a missão principal de um primeiro -ministro. Senhor Costa, reveja onde se quer ver daqui a dois anos.

Falhou Guterres que da paixão pela Educação a tornou amante desprezada. Falharam todos os que se seguiram e antecederam. Porque a educação está fadada a ser abatida, nesta economia cujo objectivo é tornar-nos a todos ignorantes e abjectos defensores da incultura e do ódio aos Professores.

Quanto mais os desprezarmos e desviarmos o nosso foco dos programas obsoletos, das cargas horárias, das escolas onde se mata a criatividade e do tempo dispensado a preencher relatórios e não a alunos, temos na mão a licença para matar a dona Educação.

Que hoje é apenas a dona de um bordel – as escolas – e nós, os agentes nada secretos temos licença para matar. O alvo errado meus senhores.

Os professores estão como os querem – estes que escreveram a agenda para os aniquilar – esgotados e sem saídas, porque não são eles que fazem nem as políticas, nem os programas. Menos ainda ensinaram a montar a vida como a que temos. Os professores desses foram outros.

Quero terminar desabafando que se alguma coisa aprendi nos meus estudos é que não chega fazermos cursos, temos de ir mais além (em inglês há uma expressão de que gosto muito : “go the extra mile”) para compreender o mundo em que vivemos. Temos de ler bastante e pensar ainda mais. Qualquer um assunto proibido. Temos de nos tornar donos de nós próprios. Mas a dona Educação quer o oposto.

Aprendi que as fórmulas estão todas inventadas por gente cientificamente comprovada. Basta aplicá-las correctamente.

Ou fazer o oposto e criar o caos. Há quem tenha muito medo do sistema político chamado anarquia, argumentando que seria o “caos”, o desrespeito de uns pelos outros, o deixar andar, o vale tudo inclusivamente tirar olhos…

Logo diferente dos tempos que vivemos…no qual os professores são obviamente a classe a abater.

Se eu fosse Professora haveria de educar à subversão de todos os meus alunos até ser expulsa. Não vejo outro caminho para a dona Educação ser feliz. Ou então irá ser eutanasiada sem cuidados paliativos.

Vivam os Professores. E a Dona Educação.

Anabela Ferreira

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