Ódio ou liberdade de pensamento? (por Anabela Ferreira)

Extermine-se! Como solução final, os culpados da sociedade estar virada do avesso, fora do eixo, deslocada do centro.

Exterminem-se os meteoritos à solta no espaço e que são areia contaminada que apenas suja e destrói. Um conselho de gente sábia assim decide e decreta.

A lista dos extermináveis não tem fim. São eles os pretos, os judeus, os muçulmanos, os gays, os que recebem RSI, os desempregados, os ciganos, os índios, os pobres, os doentes que consomem os recursos dos serviços nacionais de saúde, os fumadores e as mulheres que pensam.

E já agora exterminem-se os ditadores, os que são mas fingem não ser, os capitalistas, os banqueiros, os barões da droga, os pedófilos, os padres, e os que me querem exterminar.

Vamos por partes. Um dia o homem branco europeu chegou às Américas e a África e exterminou populações autóctones inteiras para dominar. Dominou pelo ferro e pelo fogo, pela arte de matar e pela arte de se impor a dividir. Na Ásia lideres dominaram e dominam pela fome, pelo ferro, pelo fogo, pela arte de impor e dividir. Em África e nas Américas quando alguns lideres chegaram ao poder dominaram pelo fogo e ferro da arte de dividir como para expurgar demónios passados.

Como nenhuns outros, os índios têm-nos ensinado a grande lição de lutar pelo que está certo sem alimentar a vingança em nome de um passado de barbárie.

Aprender com o passado para não deixar que o presente mate o nosso futuro foi uma das minhas razões para gostar de Educação e História e seguir para a segunda parte desta minha opinião.

Normalmente esta última – a História- é contada pelo ponto de vista do vencedor não sendo no entanto difícil entender que nesta bolinha azul a vaguear pelo espaço há em demasia um complexo: o do exterminador implacável vindo de um complexo enraizado no ADN da espécie, sendo ele o complexo de superioridade (favor consultar o Google para ler Freud e os clássicos gregos).

Talvez relacionado com sexo – matar o pai para casar com a mãe – ou da vaidade de Narciso – “que acha feio tudo o que não é espelho” –  ou de cérebros que desconseguiram desenvolvimento cognitivo na idade certa, o certo é que neste manicómio se tornou moda erguer muros entre os homens das cavernas.

Os nossos antepassados estão certamente orgulhosos ao nos verem evoluir…

Para terminar e sobre o extermínio e a exclusão e discriminação de grupos, de novo – como a minha bisavó escrava – não hesito em escolher morrer em liberdade. E, lutar pela liberdade que não tem amarras.

Que é a liberdade igual para todos. Não apenas para uns. “Não existem uns homens mais iguais que outros”.

Qualquer outra teoria de liberdade é um compromisso com o erro de pensarmos que não somos todos humanidade.

Por isso sou das que toma partidos e lados nas trincheiras. Sou do lado que está certo e ponto. O lado daqueles que sabem que não há lados.

Daqueles que lutam para que um dia sejamos todos vistos como iguais.

O lado dos que perderam a vida para sermos vistos como iguais ao nascer e ao morrer.

Se apenas uns de nós lutarem para que apenas alguns de nós sejam livres e iguais, isso é um ismo qualquer que me interessa derrubar. Através da educação.

Não sabem que alguém morreu para que qualquer deles pudesse falar?

Os mortos vêm dizer que não morreram para que viesse – de novo -um homem vivo decidir que é superior a outro e por uma bizarrice qualquer tem de o exterminar ou excluir.

Não esqueçamos nunca que sempre foi a arte de dividir, criada por outros como nós, que pensou e implementou aberrações sociais: escravatura, extinção de etnias e outros grupos, pela religião ou preferência sexual. Porque sempre existiu um objectivo de ganhar algo.

Sempre que aparecer um exterminador implacável no vosso bairro ou rede perguntem-se e respondam-se sem delongas: “qual o objectivo deste ser”? És fruto da ignorância, estúpido!

Não esqueçamos que homens e mulheres de todas as cores, credos e orientações sexuais morreram às mãos de regimes das denominadas extremas, esquerda e direita (os ismos que nos dividem para impôr um reinado).

Assim tem sido na História contemporânea com líderes como Estalin, Hitler,Pol Pot, Idi Amin entre tantos outros, bem como os novos muros (literais ou não) pós guerras mundiais (como no caso de Israel com a Palestina ou na África do Sul com os novos líderes pós Mandela).

Ninguém nem nenhuma nação, tribo ou grupo serão grandes pela imposição de exterminadores implacáveis de outros iguais.

O racismo – é um crime contra a humanidade- contra si próprio para reforçar o pleonasmo- fruto da ignorância de quem ensina a odiar. Podes pensar diferente mas este é único lado certo.

E nunca esqueçamos também que no final do jogo rei e peão vão juntos para a mesma caixa.

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