Os doze jurados

Doze jurados julgam um jovem de bem. Branco. Que saiu de sua casa, num estado qualquer para ir defender com uma espingarda militar, os vizinhos de outro estado, de uns manifestantes malucos e veja-se, anti-racistas. Chegou ao sítio, matou dois, feriu um, foi escoltado pela polícia e coitado, agora foi ilibado. Por aqueles doze jurados. Dizem que agiu em legítima defesa. Em defesa dos vizinhos.

Fez o papel de Chuck Norris. O vigilante.

Não, não é filme. Ou aliás é. É uma vez na América.

Hoje. 2021. A ser América. Ai se o pobre jovem fosse preto e se chamasse Floyd… E tivesse gamado uma cerveja… Ou assim…ou assim… ou um qualquer pequeno nada.

Imaginem a decisão e a pena…

Assim, o jovem chorou de felicidade, a pensar no amanhã, quando houver outra situação em que ele possa matar anti-racistas, quem sabe mais uns pretos e ficar impune.

Vai pra casa da mãe descansar e beber caldo de perú e celebrar. Aproxima-se o thanksgiving, que assinala a data da conquista de território de uns peregrinos sobre os nativos que já lá estavam. Enchendo o cú do perú de entranhas estranhas. Agora com mais confiança. Juiz e jurados estão do seu lado e compreendem-no. O jovem encontrou a absolvição. Foi aspergido com a água benta da inocência dos privilegiados. São heranças trumpianas, esses que estavam fechados nas grutas e voltaram a sair para se mostrar. Durarão por muito tempo ainda, neste retrocesso civilizacional pois estão a fazer prova de vida.

Anabela Ferreira

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