Querido diário

Trago-te noticias do hospício. Hoje uma amiga inglesa pediu-me desculpa pelos crimes cometidos em nome da Coroa.

Assustei-me logo. Pensei que tivéssemos sido invadidos a partir do All garve e anexados à Commonwealth para que de uma forma qualquer ficassem dentro da UE.

Em nome dos ingleses, pelos complexos de superioridade dos britons que nada mais têm feito que chegar aos lugares, mostrar a sua força e dominar sem escrúpulos – ver a história amorosa da Commonwealth – a minha amiga pedia-me desculpa e dizia-se “embarassed” (emprenhada pela vergonha).

Disse-lhe para não se preocupar, porque da parte que me toca não confundo os meus “ódios” de estimação.

À parte dizerem uma coisa e pensarem outra e serem profundamente politicamente correctos e muito pouco estupidamente incorrectos, compreende-se que precisem de distracções.

Hoje está sol, mas amanhã “we don´t know do we?”. É assim que eles são politicamente correctos. Pedem sempre confirmação e aceitação.

Isto traz muita frustração e depressão ao final do dia.

Antes ser holandês porque estes dizem o que lhes vai na cabeça sem pedir desculpa. Ao contrário de nós portugueses ainda estarmos no patamar do servilismo ” pá desculpa lá, mas…pedimos sempre desculpa antes de dar a nossa opinião.

Desculpei de imediato a minha amiga briton. E fiquei a pensar.

Muito gostam os amorosos donos disto tudo, que se confundam franceses, israelitas, ingleses, americanos, iranianos, alemães, etc etc com os donos de cada um nação imposta por bandeiras e divisões a régua e esquadro para que possam passar a vida em jogos de geo-estratégia.

A divisão é em si um jogo de estratégia.

É um sistema simples e descomplicado que George Orwell explicou: atira-se para o centro da mesa onde os humanos almoçam, um grupo para ser odiado. Os esfomeados atiram-se à peça e desfazem-na em poucos dias.

À tona vêm os instintos mais animalescos.

Enquanto o festim feio,porco e mau acontece à mesa, os nossos donos roubam à tripa forra todos os nossos direitos, identidade e por fim a nação.

Quando me ouvires falar contra Israel, contra o Reino Unido, contra a Alemanha, contra os Estados Unidos, contra a Rússia, contra a França ou qualquer outro, lembra-te que sou contra os amorosos donos disto tudo, que tudo decidem.

Mas não decidem nem em meu nome nem da minha amiga.

Não posso gritar mais, não porque não tenha voz mas porque as nossas armas são desiguais.

Assim resta-nos pedir desculpa uns aos outros e nunca defender os amorosos donos disto tudo.

Ou somos engolidos pelos nacionalismos que se colam às nossas identidades, retirando-nos a pele de humanidade, fazendo-nos cometer crimes contra nós próprios, em nome dos nossos donos. E isso não faço.

Fazer o seu contrário é a politica mais correcta que vou vestir até morrer.

Anabela Ferreira

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