Silly Season de Outubro

Quem não acredita nas alterações climáticas deve ter em atenção a aparente deslocação da Silly Season. Estávamos habituados a ter a época do disparate localizada entre finais de Julho e finais de Agosto eis senão quando no espaço duma semana, em pleno mês de Outubro levamos com uma nova temporada da Silly Season.

Um pateta que não gosta dos beijos aos avós, a Câncio numa desesperada tentativa de passar por virgem ofendida a criticar a Dina Aguiar por ela se despedir, num programa com a chancela RTP com um singelo “até amanhã se Deus quiser”.

O pateta dos beijos conseguiu os seus objectivos, uns minutos de fama, qualquer dia vai ser convidado para comentador num qualquer canal de televisão, daqueles que adoram ter patetas a comentar. A Câncio não consegue, de todo, passar por virgem ofendida e muito menos atingir a Dina Aguiar mas lá consegue que se fale de outra coisa em relação a ela que não seja a sua, quase patológica, inocência no que a contas bancárias e despesas diz respeito.

Vamos lá deixar-nos de tretas, o beijo aos avós é tão violento como o banho naquela fase Cascão que todos os putos atravessam, certamente não é por, durante essa fase, terem sido obrigados a tirar o sebo que mais tarde ficam com o ar seboso do seboso professor.

Quanto à Câncio, opina este agnóstico ateísta, que numa escala de 0 a 10 sendo o 0 equivalente a nada ofendido e o 10 equivalente a um até dá vómitos, o até amanhã se Deus quiser é um 0 enquanto que alguns comentários da Câncio, este incluído, ultrapassam claramente a nota 10.

Até amanhã se Deus quiser é tão simplesmente uma expressão que se tornou, ao longo dos tempos de uso corrente, não choca quem a profere e muito menos quem a escuta. Não consta que a Câncio se sinta ofendida cada vez que escuta um oxalá (in sha’ allh), não consta que ao escutar esta palavra, tão enraizada no nosso léxico, comece a berrar que estamos na presença de perigosos fundamentalistas islâmicos. É caso para dizer “ó Fernanda get a life”.

Para terminar a semana em beleza levamos com a bestialidade do Sindicato Vertical dos Policias. Se num sindicato vertical conseguem atingir tal nível de bestialidade nem quero imaginar o que farão num sindicato horizontal.

A brilhante ideia que estes “brilhantes” sindicalistas tiveram para demonstrar o seu descontentamento em relação à onda de protestos que surgiu após a divulgação das imagens da detenção dos criminosos em fuga, já agora de referir que fugiram quando estavam sob custódia da PSP, divulgação que fizeram talvez para disfarçar a vergonha de terem sido incompetentes nas sua mais básica tarefa, não deixar os criminosos presos fugirem.

Os “brilhantes” sindicalistas, numa atitude muito pouco vertical, nem sequer horizontal, é mesmo numa atitude rasteira, resolveram publicar uma montagem com a foto do ministro da administração interna rodeado de fotos de idosos agredidos numa tentativa de granjear na opinião pública o sentimento de que aqueles idosos tinham sido agredidos pelos criminosos entretanto capturados. A montagem é falsa, é uma reles manipulação utilizando fotos de actos criminosos praticados por outros criminosos noutros países.

No caso da bestialidade dos rasteiros sindicalistas o mais preocupante nem sequer é o que está à vista de todos. O preocupante não é a grosseira falsificação da fotomontagem com o claro objectivo de manipular a opinião pública. O que é preocupante é o que não se vê, se estes rasteiros policias não têm pudor em deturpar factos e realidades à vista de todos o que será que acontece na horizontalidade das esquadras? Quantas provas serão, com pouca verticalidade, plantadas a belo prazer das polícias? Quantas vidas serão capazes de destruir estas ovelhas negras da instituição que não têm pudor em adulterar factos e envergonham a farda que vestem?

Mais importante do que saber quem divulgou as fotos da captura dos criminosos é saber que manipulou fotos para induzir o público em erro, é importante e urgente porque quem faz uma coisa destas é capaz de tudo.

Direitos sindicais permitem tudo e desculpam tudo? Não, não permitem nem desculpam, apenas potenciam a revelação da desonestidade intelectual de quem devia, acima de tudo, defender a honestidade e a legalidade e que, infelizmente, vai passar incólume a esta bestialidade.

Por outro lado quem sabe se quem fez esta manipulação grosseira de fotografias foi, em criança, obrigado a beijar os avós, se assim foi compreende-se a revolta e a falta de capacidade para distinguir o  que é certo e o que é errado.

Outro sindicato de policias, sim outro, há muitos! Os sindicatos na policia são como os cogumelos, aparecem espalhados por todo o lado. Esse outro sindicato veio defender que se está a dar relevância ao que não tem relevância, na opinião deles o que é importante e devia ser destacado é o facto de a policia ter capturado os fugitivos. Como é que disse? Portanto o que deve ser destacado é o facto de cumprirem com as obrigações, nomeadamente o facto de capturarem os criminosos que deixaram fugir, já o facto de terem violado a lei publicando fotografias não tem importância nenhuma? Fantástico!

Já agora, quando dizem que não sabem quem é que divulgou as fotografias é fácil explicar. As fotografias foram divulgadas por, ou a mando de, quem as tinha. É mais ou menos o mesmo que com o segredo de justiça, só quem o tem é que o pode divulgar. Entenderam?

Esta não é a minha polícia!

Jacinto Furtado

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