A “Temer” pelos brasileiros e por mim (por Anabela Ferreira)

 

brasilSe o Brasil fosse a minha família, a partir de hoje iria a um juiz pedir um ordem de impedimento contra ela. Nenhum membro se poderia aproximar de mim nos próximos anos.

Supondo que eu sou o povo brasileiro, o impeachment seria direccionado ao congresso que ontem mostrou a verdadeira involução. Não apenas dos brasileiros mas de todos nós como raça imperfeita, dada e oferecida à sacanice.

Da árvore de maçãs podres no paraíso não se pode colher doces cerejas. E os frutos, podres ou sãos, não caem nunca longe da árvore mãe. Volto à família como exemplo para me explicar:

– Se esta cria os seus membros na preguiça, na corrupção, na compra e venda de favores, em arranjar cunhas para safar uns e outros, em esquemas e gingamentos de assuntos, seremos naturalmente um bando de grunhos sem mais referências. No entanto, temos sempre outra escolha. Podemos não a usar por falta de hábito ou preguiça.

Nenhuma consequência mais natural poderia advir de tão excelsa educação. A grunhice.

Famílias disfuncionais que oferecem saídas disfuncionais obtêm resultados disfuncionais. Princípio número um do matemático grego Euclides. E do contemporâneo D.Corleone.

Os sistemas que apoiam e fomentam o degradação e a involução, vão sempre ter este resultado: o trogloditismo. As famílias que apoiam e fomentam a involução em troca terão filhos, netos, primos, sobrinhos e tios muito pouco sapiens.

Ontem o Brasil mostrou-nos a todos- sim, que ninguém pense que não pode acontecer na sua casa – o sistema que alimenta a fasquia a nivelar por baixo.

Assim é também para a família da América do Norte com o descabido- resultado da involução- candidato presidencial.

Numa entrevista em 2015 o Professor e filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella diz: «95% dos brasileiros acordam todos os dias em vários estados do País e vão trabalhar. Levantam de madrugada, pegam ônibus, cavalos, bicicletas, moto e vão. 5% são canalhas. Esses 5% de canalhas conseguiram duas coisas perigosíssimas. Primeira, dizer aos 95% que não são canalhas que não sê-lo é uma forma de ser tonto e otário. Segunda, que eles, os 5%, são invencíveis. Aí, duas mentiras. Primeira: Não é correto ser canalha. Segunda: que os 5%não são invencíveis» .

Ontem os 5% da canalha mostrou a sua cara sob a forma de homens loucos num circo de hienas. Foram educados para ser hienas, perderam qualquer referência de decência, ética, democracia e sentido de Estado, logo respondem apossando-se dos cadáveres em putrefacção, que é todo o regime que deixou de responder à sociedade brasileira.

A canalha mostra-se no caso da americana. No caso da sul-africana. E de tantos países africanos, incluindo o meu. Em vários países europeus, incluindo o meu.

Não sou brasileira, não conheço o Brasil, não posso dar palpites, a não ser falar como ser-humano que se interessa pelo mundo e por estas questões da evolução. E das pragas de canalhice que estragam árvores inteiras de bons frutos.

De novo foi o filósofo brasileiro Professor Mário Sérgio Cortella que me ajudou a ter esperança, bem como a colocar em perspectiva o mundo quando diz :«Nós temos hoje, no País, um processo de limpeza dolorido, complicado, nos dá raiva em vários momentos, mas ele é necessário. A palavra crise tem origem numa palavra do sânscrito que é purificar, pu-ri-fi-ca-cão. Por isso cria. Tem pessoa que no exercício de ioga se cria. O que é purificar? É você se separar. A febre, por exemplo, é uma forma de purificação».

Os maus familiares adaptam-se à sua péssima família, nivelando pelo fundo para conseguirem sobreviver.

Agora resta às gerações ainda não contaminadas purgarem-se, separarem-se e purificarem-se. Para conseguirmos evoluir como raça.

À exclamação “e pur si muove” eu exclamo: os interesses mexem-se! Mas, nem o Brasil nem o mundo pertencem a esta canalha.

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