O terrorista apelo à abstenção! (por Jacinto Furtado)

 

Este texto não é novo, foi publicado há uns anos, escrito uns dias antes dumas eleições autárquicas. Infelizmente continua, anos depois, com a mesma actualidade como se o tivesse escrito agora mesmo!

Temos assistido a um crescente apelo à abstenção nas eleições que amanhã se realizam. Apelos que chegam das mais variadas origens, algumas delas com responsabilidades sociais que, por si só, justificariam contenção neste verdadeiro acto de terrorismo verbal.

Votar, mais que um direito, é um dever. É dever de todos os cidadãos eleitores expressarem a sua vontade e exprimirem através do voto o caminho que querem que se siga.

A abstenção é uma cobarde forma de nos alhearmos dos destinos do País e no caso especifico de nos alhearmos do destino da nossa autarquia. A abstenção é o mesmo que dizer “para mim tanto faz, não quero saber”!

Por outro lado no terrorista apelo que é feito à abstenção e/ou ao voto útil quer-se transmitir a ideia de que dos resultados das autárquicas e da taxa de abstenção devem retirar-se outras conclusões e assumir consequências.

Sejamos pragmáticos, a única consequência que é garantida é que a abstenção e/ou o voto útil pode originar que o governo do vosso município ou a vossa junta de freguesia seja uma decisão de outros e não sua.

As autarquias são por demais importantes, pela proximidade que tem das populações para servirem de joguete e para servirem outros interesses que não os locais. As eleições autárquicas são mais que partidos políticos, são pessoas, são projectos e são o garante de representatividade da vontade popular.

Em último caso, se nenhum dos projectos que se apresenta a votos vos agradar votem nulo, mas votem. Um voto nulo tem mais valor que uma abstenção, mostra que se interessam, mostra que estão atentos, mostra que estão dispostos a lutar por o que querem. Transmite o contrário da abstenção.

Tenho plena consciência que este meu curto texto compromete projectos futuros mas não ficaria bem com a minha consciência se não o escrevesse ou se o escrevesse de outra forma.

Olhem à vossa volta, analisem as pessoas, os projectos e o que querem para o vosso município ou freguesia mas sobretudo façam o favor de não irem na cantiga do voto útil e de ser verdadeiramente uteis para a decisão do vosso futuro.

Votem em consciência. Eu voto!

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