To puke or not to puke, o “lebensraum” em continuum

Vou preambular antes de me atirar às razões do drama que me acomete.

Quando os sapiens fazem escolhas sobre os caminhos que seguem (se escolhem uma revolução bolchevique, se escolhem HItler, se Leopoldo II escolhe ficar com o Congo como seu jardim, se arrancam a cabeça aos reis, se escolhem raptar outros iguais – mas menos iguais – e torná-los seus escravos, ou qualquer outra escolha de caminho da sua História, não têm forma de antever o que sucederá. Porque nas sociedades e na natureza do sapiens o movimento é permanente. 

Quem sabe poderíamos ter escolhido outros caminhos, e, teríamos tido outros resultados. As variáveis são infinitas e as possibilidades também. As previsões são impossíveis de acertar.

Não saberemos nunca antever o futuro. Por isso sabiamente alguém afirmou “prognósticos só depois do jogo”. Esta variável será a única inalterável e aplicável ao longo dos tempos. Sabemos fruto de observação de cientistas sociais, escritores e poetas que haverá sempre tentativa de domínio de uns sobre outros. E será este movimento de fundo que moverá o sapiens na sua progressão.

Serviremos de objecto de estudo aos antropólogos do futuro sobre o “lebensraum” (o habitat dominado por um estado/estados/sociedade com maior capacidade de organização que domina e conquista os territórios onde se encontram as pessoas menos desenvolvidas). 

Escrevo hoje este pedaço porque acordei agoniada. Um estado que me acontece com frequência quando vislumbro – como pitonisa que sou – uma nuvem escura sobre o futuro em relação a caminhos e escolhas.

Do preâmbulo à trama propriamente dita, quando Israel escolhe continuar a ter como seu homem do leme um sapiens, que sabemos escolherá um caminho já escolhido na História do sapiens, com resultados antecipadamente conhecidos, tenho de ficar agoniada. 

Nesta escolha de caminho, prevejo a intensificação do terrorismo de uns “com maior capacidade de organização a dominar e conquistar territórios onde se encontram pessoas menos desenvolvidas”, por definição de lebensraum. No entanto, em breve, este sapiens – cujo poder sobre o mundo é quase absoluto, poderá ser preso e julgado por corrupção e dar por terminado o seu domínio. Depende, no entanto, de muitas variáveis.

O mesmo “lebensraum” acompanha a história do Reino Unido. O impasse (direi) cármico em que se encontra sobre o caminho a seguir nada mais é que estar a ser dominado pela tentativa de continuar o seu “lebensraum”. 

Do caminho que seguir só saberemos o resultado depois de ser experimentado. Da UE estrutura pouco democrática em busca de domínio (o seu lebensraum) também nada sabemos. Depende das vias que venham a ser seguidas. No entanto podemos antever a luta que devemos lutar para ficar do lado certo da História a proteger 500 milhões de sapiens dos maus resultados que vimos a sofrer. O caminho escolhido está errado e está a provocar enormes agonias.

Num fais-divers da trama, a agonia fez-se ainda mais intensa quando li que a virgem madonna vai cantar – obviamente em promoção do lp cujo single com bailes de amor entre ela e cavalos, no palácio em Belas se tornou um inconseguimento – naquele festival de radiodifusão europeus (de serviços de rádio e televisão públicos) onde se encontrará com o Conan das colheres (que escolheu o caminho da fama efémera em lugar de contestar o dito). 

Porque escolho estes dois Estados relacionando-os como razão de agonia? Porque estão ligados na sua génese de lebensraum,a razão desta crónica agoniada onde misturo festivais, poderes e escolhas de caminhos.

Curiosamente – ou por razões de influência – a União Europeia de Radiodifusão foi criada pelo Reino-Unido em 1950 e este, por cortesia, convidou o recém-formado Estado de Israel em 1948.  Administrando o território desde 1917, prometia o Reino-Unido ao Estado de Israel – para este aplicar lebensraum – que lhe seria garantido um lugar entre os escolhidos.  

Qualquer dos países pratica apaixonadamente “lebensraum”, um anterior à Magna Carta e o outro desde que se impôs territorialmente no Médio-Oriente. Hoje pode ser julgado por qualquer de nós, ao analisarmos o conhecimento que vem com a História. 

Uns guiam a sua escolha de caminhos pela religião (assim dizem) outros por estratégia e política. Sempre por lebensraum. 

Apesar de nenhum poder antecipar o futuro, ambos se têm como Estados com maior capacidade de organização sobre pessoas menos desenvolvidas. 

Sobre os resultados do passado de lebensraum vindo das escolhas destes dois Estados – cujos egos dos sapiens dominantes são buracos negros gigantes – sabemos quais as escolhas a evitar. No entanto não podemos antever o futuro. Apenas intuir. E quem sabe errar. Porque sendo a mudança a única variável certa, esta veste-se da já conhecida imprevisibilidade.

Dito de outra forma com outros exemplos, Leopoldo II depois de matar mais de 10 milhões de africanos nunca imaginou que um dia o Congo deixaria de ser seu. O III Reich nunca imaginou perder a guerra de domínio do mundo. Reis nunca imaginaram vir a ser decapitados, a URSS nunca imaginou desfazer-se por força de mudanças externas e o Reino Unido nunca concebeu perder o seu poder na Europa e no mundo nem Benjamim Nethaniau vê-se ainda como imperador das terras de Abrãao. Para não falar do lebensraum norte-americano ou do actual Brasil. Ou ainda, da actual estrutura da UE seguindo o seu caminho de Império. Entre outros Estados no Oriente Médio. 

Ciclicamente o lebensraum será a agonia de uns e a prática de fé de outros.  

Epílogando, resta aos seres inferiores e menos desenvolvidos escolherem caminhos que ainda não foram experimentados (para tantas ameaças à sobrevivência do sapiens-sapiens) sem esperar  – como até agora – que a selecção natural actue. 

Ou prevejo – sem precisar de consultar o oráculo de Delfos – que o lebensraum continue a sua destruidora tradição. 

O que me faz regressar à minha noz, onde me recolho com a minha agonia, se não se escolhem (porque existem) novos caminhos colectivos. 

Anabela Ferreira

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