Um monumento, a tudo o que o Estado não fez…

A coisa foi apresentada como comparada à ponte Salazar. Só isso diz tudo sobre os apresentadores comparadores. Na verdade, foi finalizado um troço de estrada, em túnel, que custou 88 disparatados milhões… O maior túnel rodoviário da Ibéria (5,665 km) em todo o seu esplendor: o mais caro troço de uma autoestrada portuguesa (14 milhões/km).

E disparatado, porquê? É inútil? Não. Não é.

Na inauguração do Túnel do Marão, José Sócrates disse que Passos Coelho não compreendeu “o simbolismo” daquela obra. É é de facto um símbolo, a obra. Um símbolo e um monumento ao oblívio pelo Estado a uma parte substancial do seu território. Todas as auto-estradas transmontanas serviram apenas para esvaziar a região e não para inverter o seu ciclo de regressão económica e demográfica.

O poder centralizador do litoral Norte, acentuou-se, ao ficar mais acessível. Nunca os milhões esbanjados em alcatrão serviram para criar empregos, para atrair investimentos ou pessoas. Quando o IP4 foi inaugurado, a população residente de Trás-os-Montes caiu a pique. Saíram, precisamente, os jovens. As demonstrações de alegria dos transmontanos pela construção deste túnel não passam por isso de frustres autos de fé. Não haverá um tempo novo, como não o houve por via de nenhuma das outras auto-estradas. E a “culpa” não é do túnel, nem da A4, como não o foi da A7, nem da A11, nem da A24 que se fizeram antes. É de tudo o que nem o Estado nem as instâncias públicas e privadas da região não fizeram.

Num país como Portugal, só é possível deslitoralizar, industrializando. Criando emprego. Incentivando à instalação de empresas em zonas interiores. Com isenções fiscais, ou zonas francas. Faltando as infraestruturas básicas, não vale a pena ter rodoviárias. Convém aliás é que haja comboio. A não ser para passear ninguém por ali passa. Jovens, poucos ficarão lá sem emprego. Haverá quem trabalhe, enquanto houver. E umas universidades e institutos que servem como rampa de acesso às grandes cidades do litoral, ou ao estrangeiro.

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Tivemos anibalidades. Agora, teremos socretices. E não nos livramos disto.

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