BANIF: Um banco, dois governos, três mentiras.

1ª MENTIRA: o governo de passos escondeu a situação do BANIF

No BANIF, o presidente do conselho de administração, nomeado em 22 de Março de 2012, é o militante e membro do Secretariado do Partido Socialista, e ex ministro dos negócios estrangeiros e da Defesa do governo de Sócrates, Dr. Luis Amado.

Como pode o PS vir dizer que a situação do Banco, do qual um membro do secretáriado do PS e ex-ministro de antigos governos é Administrador, foi ocultada ao país pelo Governo de Passos Coelho?

Na sua melhor capitalização bolsista de sempre, o capital do Banif rondava os 800 milhões de euros, mas tinha depósitos no montante de 3 000 milhões de euros e créditos de igual montante. Um banco com esta equação de rácios entre capital, depósitos e créditos não pode existir. É proibido!

Como pode António Costa alegar “desconhecimento” da situação em que se encontrava o BANIF? Não sabe ler um relatório de contas? Que confiança gera ao país um primeiro-ministro que diz que o anterior governo escondeu aquilo que estava publicado e acessível a todos? Que tipo de oposição andou o PS a fazer, durante 4 anos?

2ª MENTIRA: As razões da medida tomada

Quando se optou pela resolução, Centeno disse que no BANIF havia 6374 depósitos superiores a 100 000 euro e que a maioria deles seriam depósitos de entidades públicas; E que isso contribuíra para impor o princípio da resolução. MENTIRA. Dos 6374 depósitos superiores a 100 000 euros, que perfazem um total de dois mil milhões de euros, só 15% desse valor corresponde a depósitos de entidades públicas. Cabe saber a quem pertencem os restantes 85%, no montante de 1 700 milhões de euros.

A procissão ainda vai no adro, mas o Banif, já custou ao erário público 3 mil milhões de euros, apenas para limpar a merda e entregá-lo em condições de ser absorvido por um banco espanhol: o Santander-Totta, o mesmo banco que litiga contra o Estado Português, nos tribunais portugueses, a exigir uma indeminização de 1,5 mil milhões de euros por alegada violação de contratos swap, contratos tão leoninamente exploratórios que até o governo Coelho/Portas achou que era demais…

Eu parece-me claro que, como escrevi várias vezes, antes até de ser anunciada a resolução do BANIF, esta medida visaria, como visou, salvar os amigos comuns de Costa e Passos, detentores de depósitos superiores a 100.000€ e os detentores de dívida sénior, que ficaram assim salvaguardados, à custa dos 3 mil milhões que custou a resolução (para já). Por isso é que o PSD, depois de prometer entalar o Costa, perante um laivo de remorsos do PCP que determinou o voto contra no Orçamento rectificativo, votou a favor do Orçamento rectificativo: para salvar os seus amigos, detentores de depósitos que, no fundo, mais não são do que formas formas indirectas de capitalizar o BANIF.

Horta Osório, presidente do Lloyds, considerado o melhor banqueiro do mundo várias vezes nos últimos anos, afirmou claramente: «Por via desta medida, o bloco central de interesses conseguiu evitar que o Banco Central Europeu viesse fazer uma auditoria, séria e profunda, ao BANIF».
E bastariam mais 11 dias para que a directiva comunitária fosse obrigatória, tornando vinculativo fazer tudo ao contrário!

Beneficiou o Santander, que fez um bom negócio, que de certeza, ninguém pensará em “reverter”… Beneficiou Carlos Costa, que não se demite, nem é demitido por António Costa que tanto berrou na campanha a esse propósito. Beneficiaram os “competentíssimos” do Banco de Portugal que nunca serão escrutinados relativamente às sucessivas falhas de supervisão. Beneficiou o anterior governo, que conseguiu uma “saída limpa” que afinal, foi bem suja.

3ª MENTIRA: As consequências da resolução

Em Dezembro Costa e Centeno vangloriaram-se, durante a discussão parlamentar do orçamento rectificativo imposto pelas despesas provenientes do caso do Banif, de terem escolhido a melhor solução, garantindo que o aumento do défice orçamental e da dívida pública não impediriam a saída de Portugal do procedimento por défice excessivo…

Em 13 de Janeiro, em Bruxelas, em reunião com os ministros das finanças da zona euro, Centeno confessou aos jornalistas que “Infelizmente a situação que se pôs com o Banif e com a necessidade de intervenção no Banif colocam dificuldades na saída do país do procedimento por défice excessivo.”. Resultado: a somar aos 3800 mil milhões de euros, temos uma multa por violação do procedimento por défice excessivo, que pode chegar aos 700 milhões de euros.

Conclusão: Não há inocentes

Se como todos percebem, PS, PSD e CDS, estão comprometidos com a causa, medidas e consequências da falência do BANIF, por outro lado, fica muito clara também a razão pela qual o Bloco de Esquerda rejeita uma comissão de inquérito independente a este caso, que num país de pessoas normais, resultaria numa hecatombe do sistema político e financeiro.  A comissão parlamentar terminará como todas as outras e já se sabe que não servirá para coisa nenhuma. E lá irá o Cidadão-Contribuinte financiar a fundo perdido as aventuras e desventuras de uma banca e de um sistema financeiro emplastrado de figuras sinistras de proveniência partidária e envolvida nos mais escuros e obscuros negócios e negociatas.

É engraçado verificar como nenhum órgão de comunicação social em Portugal aborda estes FACTOS e dele extrai quaisquer conclusões.

Chega a ser hilariante, não obstante ser trágico, como um povo inteiro ignora tais factos, se recusa a comentá-los e até, a deles tomar conhecimento.

 

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