Vamos roubar e aproveitar enquanto pudermos. E o VAR.

Há poucos dias celebrou-se o dia da queima de livros em Berlim, momento que nos recorda um dos piores dias de consciencialização sobre o que aí vinha para a humanidade. 

Há poucos dias celebrou-se a queda do muro de Berlim fazendo “cair” uma guerra fria que dura até hoje sob novas formas. 

Hoje celebramos o armistício – os homens caídos na I Guerra Mundial. Que não deixou de produzir homens caídos. Nunca houve armistício. 

Hoje celebra-se a transferência de poder em Angola que continua a produzir homens caídos.

Há um VAR.

O mundo arde junto com o seu pulmão, a Amazónia, nalgumas latitudes há autores perseguidos, livros proibidos, guerras intermináveis, nós colocamos máscaras, somos retidos em casa sem compreendermos a enormidade, temos medo visceral de outros como nós, enquanto Neros cometem impunemente crimes contra a Humanidade. 

Há sempre um VAR.

A luta pelo poder está ao rubro. 

Como a luta pela vitória num jogo de final da Champions. As elites estão em campo. Nas bancadas sucedem-se os insultos, as dores, as alegrias, as náuseas e angústias antes dos pénalties, esquecemos a humanidade que nos trouxe ao desenvolvimento próximo dos deuses, enquanto nos aperfeiçoamos num nível de criminalidade de colarinho branco, deixando o colarinho azul, que já nem sequer consegue respirar quanto mais gritar, a não ser na catarse futebolística, abandonado que está a uma sorte forçada e imposta pelo choque entre titãs. 

E de repente, num passe com a mão divina, dos astros, ou de um pé em riste, o golo. 

Celebrações, festejos, beijos, abraços. Escolhem-se os melhores pratos do menu para nos lambuzarmos. As mãos lavam-se batendo uma na outra. Faíscas saltam, a catarse acontece. Rejubilamos.

Quando, vindo de um canto sombrio aparece o VAR. 

Não. O golo não valeu. Não conta. 

A bola volta ao meio campo. Recomecem. 

Amofinados, transpirados, de ombros caídos, lombares doídas. recomeçamos. Cheios de fé. Na nossa equipa. Ou nos astros, ou nas mãos dos deuses. Ou nos ladrões. 

Tem sido assim. 

Um orgasmo interrompido num mau coito. 

Com um VAR por fiscal. Um fogo como cenário e uma harpa como requiem.

Desejo-vos uma boa semana

Anabela Ferreira

Um comentário a “Vamos roubar e aproveitar enquanto pudermos. E o VAR.”

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