“VIRA PARA LÁ ESSA MERDA!”

ng1222148Foi Jaime Neves quem evitou, em 25 de Novembro de 1975, uma matança na tomada do Regimento da Polícia Militar, na Ajuda. E fora, já antes, Jaime Neves, quem se colocara, sozinho, à frente dos dois M-47 do major Pato Anselmo, que se preparavam para acabar com a “revolução”.

 

PORQUE É QUE JAIME NEVES É TÃO ODIADO?

O major Jaime Neves nunca escondeu, antes do golpe do 25 de Novembro, o desejo de erradicar o PCP da vida política portuguesa. Porém, quer o tenente-coronel Ramalho Eanes como o tenente-coronel Melo Egídio persuadiram-no a mudar de ideias, após negociações complexas do então presidente da República, Costa Gomes, com o general Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON, e Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, tudo na perspectiva de se evitar a guerra civil que se adivinhava e que motivou a fuga de Mário Soares e vários outros socialistas para o Porto, onde se dispunham a concentrar o Poder, com o apoio do brigadeiro Pires Veloso e muitos outros elementos da extrema-direita.

O QUE FEZ NO 25 DE ABRIL?

A situação das forças revolucionárias comandadas pelo capitão Salgueiro Maia encontra-se periclitante. As forças fieis ao regime detinham um poder de fogo muito superior às forças de Salgueiro Maia, através dos carros de combate M-47, do Regimento de Cavalaria 7 e da fragata do comandante Louçã (pai do ex-coordenador do Bloco de Esquerda), que recebera ordens expressas para disparar sobre a multidão no Terreiro do Paço.
Na Rua do Arsenal, sozinho, frente aos dois M-47 que ocupam a largura da via, o major Jaime Neves grita para o major Pato Anselmo: “Vira para lá essa merda!”. A “essa merda” eram os mortíferos canhões de 90mm dos M-47. O major Pato Anselmo cedeu e mandou rodar as peças em direcção ao rio Tejo. E foi este momento de coragem que evitou que o golpe de estado caísse por terra num mar de sangue e destroços.

COMO EVITOU UM BANHO DE SANGUE NO 25 DE NOVEMBRO?

Jaime Neves e o seu Regimento de Comandos atacaram o Regimento de Polícia Militar, comandado pelo major Campos de Andrade e o major Tomé (o político da UDP) e após troca de tiros foram abatidos dois “comandos” e um “polícia militar”. Só a grande capacidade de liderança e carisma de Jaime Neves evitou que os seus soldados partissem para a vingança pela morte dos camaradas e chacinassem os aterrorizados PM’s que rapidamente se renderam.

QUEM ERA O HOMEM?

Boémio, noctívago, mas sempre frontal e directo, nunca se furtou às questões mais incómodas sobre a Guerra de África, onde combateu em todas as frentes. Quando inquirido sobre a violência de algumas acções, Jaime Neves, ao contrário de muitos outros, não se encolheu nos labirintos da retórica. “Quando nos mandavam “limpar” era mesmo para “limpar” tudo!”
A sua sinceridade e a consciência política que manifestou de que o PCP de Álvaro Cunhal pretendia instituir em Portugal uma ditadura, valeu-lhe o título de sanguinário. Um título dado por uma comunicação social que, mesmo depois do PREC, continuou por décadas ao serviço do PCP, como, aliás, é hoje facto público.

 

Um comentário a ““VIRA PARA LÁ ESSA MERDA!””

  1. Rui diz:

    Massacre de Jaime Neves comandante dos comandos em Tete: nesse tempo, foi o responsável pelos massacres de Wiryamu, Chawola, Juwau e Inhaminga, denunciados pelos missionários Asturianos e relatados no local passados 30 anos por Antonino Melo o alferes operacional que comandou no terreno a operação. Jaime Neves era um criminoso de guerra e devia ter sido julgado pelos seus crimes.

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