Vírus e relações tóxicas

Esta é a clássica crónica sobre o clássico incendiário que pegou fogo, saiu de cena vestiu-se de bombeiro e diz aos companheiros de incêndio que veio ajudar a apagar o fogo.

Enfrentámos um vírus perigoso, fatal e predador, agora enfrentamos o vírus da extrema direita (o bombeiro incendiário), enquanto lutamos contra outro vírus fatal e perigoso.

Aos que saírem vivos desta peça, deixando os inimigos caídos, o meu agradecimento. Vocês são os heróis.

“Vocês é que são boa gente, vocês é que são gente decente” em Português para os apoiantes da extrema direita.

“We love you, you are good people, you are very special”, para os apoiantes da extrema-direita em Inglês.

Em Italiano, Francês, Polaco ou Húngaro as frases são as mesmas.

Estamos numa relação tóxica com os vírus corona e extrema direita depois de enfrentarmos o capitalismo selvagem.

Qualquer destas relações podem matar.

Preambulando com factos,

A extrema direita vive de mentiras, precisa de arranjar um ou mais focos de ódio e desumanização – refugiados, ciganos, pretos, judeus ou o que lhes for conveniente (ler História incluindo contemporânea) – para encontrar o caldo onde se propagar.

Ouvi em repetição que só é “pessoa de bem ou decente “ quem com ela concordar. O novo chavão para a velha manipulação. Uma repetição da vergonha na América e noutros lugares.

Quão típico de uma relação tóxica e bem manipulada.

Se repetirem exaustivamente a ideia que se não obedecerem acaba-se a acreditar que não se vale nada.

Se não se for decente e de bem, nasce um sentimento de culpa e vergonha acreditando no agressor mascarado de decente e de bem.

Agressor esse que faz a vítima sentir-se dependente do sentimento de vergonha para que esta o hospede no lugar onde ele possa viver e se reproduzir. Corrompe por dentro. Corrói o ser decente e de bem.

A relação é abusiva, tóxica, repugnante e desprezível. A extrema-direita é esse vírus desprezível. Quando se dá por isso, dorme nos sonhos, come na mesa da vítima os seus miolos refogados com cebola roxa e ovos salteados.

Como um vírus , quando tem na mão a sua vítima usa-a e exige que esta destrua a sua vida por ele. No final despreza-a, mostrando a vergonha e o asco que sente deixando-a morrer seguindo o seu caminho.

À sua vítima passará a chamar burra, imbecil, pobre. Veja-se o que o autoritário manipulador fascista rump está agora a dizer (e a pensar) sobre os que o seguiram, os que nele acreditaram, os que por ele se arriscaram, os que agora são presos por vandalismo, destruição e morte de cinco pessoas, os que se deixaram envenenar e manipular validando-o como seu salvador.

Mudando para o cenário dos descendentes de Viriato, qualquer Português é boa gente e decente até prova em contrário.

Ninguém decente e boa gente gosta de corrupção, de ter um sistema predador que roubou a qualidade de vida, que faliu e falhou as pessoas com a degradação do trabalho e dos salários, que empurrou para a emigração, roubou o SNS, vendeu o país desprezando-o, fazendo com que face a uma pandemia o país e o próprio SNS ficasse moribundo a aguardar a extra-unção (ainda não oficialmente declarado).

Daí chegarmos a novo confinamento. Há um vírus perigoso e letal. Deixámos de ter meios e recursos para o combater por causa de outro. A aguardar nas sombras, já em movimentações aguarda ainda outro vírus.

Sabemos já que em qualquer confinamento só sobrevive quem tem dinheiro, trabalha para o Estado ou é reformado, ou tem outros recursos ou empregos que lhes permitam estar em casa.

O resto tem de ir trabalhar. São os trabalhadores essenciais. Sem eles não há país.

Deixo aqui a pergunta essencial que repetem todos os portugueses de bem e que não querem outro vírus.

Porque não se assegura a subsistência de todos os cidadãos em casa e não se dão as melhores condições aos que na saúde lutam contra o vírus?

Mostram as evidências a existência do vírus predador anterior a estes dois, que tendo destruído tudo deixou as portas abertas para que estes novos vírus tomem lugar e desenvolvam a sua relação tóxica e doente com as suas vítimas.

Perdemos a capacidade de cuidar bem dos nossos doentes. O coronavírus vence. Como venceu o anterior e em cenário destruído a extrema-direita indecente, virulenta, tóxica avança para destruir a gente decente e de bem.

Hoje temos duas frentes de batalha contra dois vírus tóxicos, malignos, perniciosos e desprezíveis e um terceiro que apenas quer um corpo.

Arregacem as mangas, lavem as mãos e preparem-se. Todo o cuidado é pouco. Qualquer um entra por onde vir uma oportunidade.

Em ambos os casos o perigo é de morte. Os que não são gente decente nem do bem são os bombeiros incendiários que dizem querer ajudar no combate.

Eu como gente do bem e decente se ficar colocada entre a espada e a parede desprezo a hiena sonsa, mentirosa e desprezível do bombeiro incendiário mascarado que me quer levar para uma relação tóxica, preferindo dar o corpo ao corona. A morte será mais digna.

Contra o coronavírus tenho a água, o sabão, o distanciamento, a máscara e o respeito por todos aqueles que no meio do fogo são gente de bem, decente, da ciência e da democracia, os verdadeiros bombeiros. É ao lado deles que estarei sempre. Mesmo com falta de água e mangueiras roubadas pelo outro vírus tudo fazem para não deixar morrer mais vítimas.

Contra os dois outros vírus e todos os indecentes que os protegem e ajudam só tenho as palavras como pistola e o voto como bala usando-as intensamente.

Um comentário a “Vírus e relações tóxicas”

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