Vivemos outros tempos…

Um tempo em que nas campanhas e pré campanhas não é permitido a distribuição de sacos de plástico ou canetas com o símbolo do partido; esses acepipes tão apetecíveis que faziam as crianças sair em debandada atrás dos candidatos, quanto mais não fosse para fazer acréscimos a essas coleções.

            Em prol do ambiente e de uma educação mais verde temos a dança da exploração: das gentes, das terras, da saúde, tudo comprado com a miserabilidade feita promessa, através do branqueamento da comunicação da social… Época de autárquicas é sempre tempo de ladrilhar ruas com placas de granito e plantas; centenas de milhares de plantas perenes e árvores cujas raízes se veem aflitas e desnudas pois exigem ser transladadas noutra época. 

            À revelia das lutas dos povos e da comunicação feita pela Comissão Europeia de que a exploração do Lítio em Portugal é absurda por só existirem cerca de 10% da reserva da europa e, ainda assim, disseminada pelo país, encontramos o avanço de cerca de 1200 hectares… Entre Barroso e Covas arriscamos minerações a céu aberto de buracos venenosos que podem atingir os 50 metros de profundidade. Para fabricar essa energia verde pretendemos implodir com zonas de Reserva da Biosfera e Património Agrícola Mundial, destruir cursos de água e explodir com todos os bichos que por ali habitam… Já para não falar das respetivas populações…Mas essas que se quilhem que há muito candidato a tratar-lhes da saúde. Já lá vamos! Essas mesmas que, de cartazes em punho exigem ser escutadas! 

            Os projetos avançam e os gigantes como o Sr. David Archer,  CEO da Savannah Resources, fazendo declarações animadoras a respeito dos projetos ambientais, confiante que está no avanço da mineração! E que dizem os candidatos destas autarquias? 

Nhecos! Ainda vamos ter saudades da época da oferta dos frigoríficos, querem ver?

            Perderam a vergonha? Não! Perderam foi o medo! O medo de uma população que, estando informada, compreendendo que a política não é obreira de reinados ou de mesas compostas com ovos da Fabergé, não lhes admitirá que continuem a vender a nossa confiança para adquirir o talco que lhes mantém as nádegas sem a humidade das línguas que aceitam que lhes passem nesses recônditos espaços. 

            Prova disso é a nova moda de prometer seguros de saúde para os votantes!

            Diga-se que quem aceitar embarcar nesta viagem terá que assumir a responsabilidade da falência do SNS. 

            Que a campanha de Paulo Carmona o faça, enfim… é grave, mas basta ler os confettis da Iniciativa Liberal e as suas bases ideológicas… Que Moedas infle as velas e se deite ao mar deste populismo… é de facto triste para a democracia do país mas o partido social democrata já encetou uma nova era de descobrimentos que começou na Amadora!

            Que haja um autarca do PS que venha com a vergonhosa proposta de um seguro de saúde para os velhinhos todos da autarquia já é o limite em que apetece aguçar o machete!

            Que tem havido um desinvestimento no SNS é tão claro que ofusca! Que esse desinvestimento apenas beneficia os privados é conclusão de primeiro ciclo. Estudos de viabilidade feitos em cidades cuja conclusão seguiu para os investidores desaconselhando a construção dos mesmos hospitais por haver resposta publica, foram construídos do mesmo modo… Sendo que os Hospitais públicos foram perdendo valências… São as coincidências das nossas terras e claro, o grande risco  a que os empresários se propõem.

            Mas autarcas do Partido Socialista, o partido do governo, o mesmo que supostamente é a favor de um programa, ahh… SOCIALISTA! 

            Quero saber com quem é que andam a fazer estes acordos e não é depois das eleições! É já! Que negócio esconso (mais um!), é este em que nos dizem que respiremos… que não há resposta do SNS mas que nos prometem seguros de saúde! 

            A quem nesta gente vota: coloquem-se em guarda. Não andam longe os tempos em que os nosso avós morriam em casa porque não existiam camas, não existiam profissionais de saúde… O problema de um cidadão é gangrena que depressa se espalha… E já muitos morrem nos braços da família porque há temerários a mais a brincar aos políticos!

Rita Maia

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