Política e Paz, Vozes oficiais e vozes dissidentes

Aristóteles faz hoje mais sentido que nunca, tendo estado envolvido na política, na construção da democracia, de ter escrito sobre ela, deixando um poderoso legado a nós seus discípulos da civilização ocidental que predomina no mundo, e da qual tanto nos orgulhamos. 

Com ele aprendemos sobre política, que ecoa até aos dias de hoje.

As guerras fazem aumentar o controlo e a repressão sob pessoas cujas opiniões não sejam a câmara de eco da voz oficial. 

O propósito desta minha casa, da minha voz, é a de espalhar as vozes que não ressoam nos ouvidos oficiais, quando repetidamente sabemos que “numa guerra a verdade é a primeira vítima a cair”. 

Se nos concentrarmos nesta premissa estaremos sempre mais atentos aos factos contidos na verdade, porque esta um dia, inevitavelmente bate-nos na porta. 

Se a versão oficial nos apresenta opiniões e “verdades” como factos, dizendo que são provas “irrefutáveis” (com manipulação certamente – lembrem-se da premissa anterior.), e se o outro lado as apresenta também – pela palavra emitida e documentos militares e civis, porque razão hei-de acreditar apenas no lado oficial e não ouvir quem é dissidente, que tantas vezes conhece tão bem ou melhor os factos do que as vozes oficiais, que falam o que lhes é imposto? A pergunta não é de retórica é para fazer pensar sobre os ensinamentos de Aristóteles.

Nesta guerra não é diferente. Por isso, ouvir vozes dissidentes americanas, britânicas, franceses e outras que têm do terreno e da História conhecimentos profundos, bem como sites de grandes jornalistas que estão a ser reprimidos e controlados afigura-se-me fundamental. Não têm a verdade, mas têm elementos essenciais da verdade. 

Não me importo de com esta opinião e acção ir parar à fogueira ou ser apedrejada. Ou não ser distribuída. Estou habituada. Ser mulher e ter opinião há pelo menos uns largos séculos que significa receber este tratamento. E resistir. Sempre! 

O meu tempo foi de aceitação das tradições e das imposições. De entregar de mão beijada em bandeja de prata o poder ao capitalismo predatório e auma elite. 

O mundo mudou, em particular pós 11 de Setembro de 2001. Se puder, enquanto estou aqui, faço a ponte para um mundo com menos medo da verdade. De maior esperança num mundo mais equilibrado, mais justo, de ligação com a natureza e com a nossa essência. De entrega da política em mãos democráticas e humanistas, que não me manipulem, nem escondam a verdade, nem me façam ter medo de viver. 

Ou que me leve à loucura ao perceber que é um luxo viver e não tenho condições para cumprir esse luxo. 

Nesta louca experiência que é a vida, neste pequeno planeta em vias de extinção juntamente connosco, procuro educar-me e conhecer o que puder da História da espécie e da espécie. É isto que torna a vida tão interessante. 

O meu lado não é nunca neutro, sou do lado dos que são silenciados e até eliminados. Incluindo difamação e arranjos para arruinar o carácter (a armadilha de violação para apanhar Assange é um deles), ou Scott Ritter, um dos inspectores que foi ao Iraque pela ONU, verificar a existência de armas de destruição massiva e reportou a não existência. 

Mesmo assim, os EUA avançaram com a guerra mentindo e manipulando a opinião pública. 

Este caso deveria ser suficiente para nunca mais acreditarmos na versão oficial de qualquer acontecimento. Só que estávamos com medo. Muito medo. 

Hoje sabe-se a verdade e Ritter por ser um militar dissidente do complexo industrial foi acusado de pedofilia. Se forem estudar as acusações percebem as armadilhas mas não percebem as provas. Porque não as há. E os casos sucedem-se. 

Se jornalistas, militares, Professores estão a ser controlados e reprimidos então devem ter uma versão para contar que tem certamente veracidade. 

Se alguém tem medo que alguém fale, então ali há gato…investigue-se. Vou ouvir. Vou ler. 

Este é um princípio simples como eu que evito cair no simplismo. 

Sim, estamos todos em plena fuga para a frente relativamente a assuntos complexos, quando significa a nossa própria implosão como espécie. Uma uma forma de auto-canibalismo.

Tanto quanto percebemos todos a América odeia a Rússia (porque teme ficar ser o poder hegemónico), sem se importar de a combater nem que para isso morram todos os Ucranianos – e se preciso for o resto da Europa – no processo. 

Se pudesse, aniquilava-a com umas bombas à semelhança do feito no Japão ( como um cão a marcar território). No ADN deste povo está a violência, a guerra a aniquilação de outros povos. Passou a controlar o resto da Europa e de nós exige fidelidade. 

Nós damos como bons cães amestrados. 

A Rússia não tolera estar sob ameaça de vida por parte da América – que falhou todas as promessas de não ser uma ameaça. Alguém ainda acredita na palavra da elite mandante na América? 

O efeito Obama deveria ter-nos servido de lição. A consequência Trump deveria ter sido outra. Mas não. Mais uma vez enfiamos o gorro da ignorância e da cegueira. Contra avisos e evidências. 

Dada a aproximação da Ucrânia – em todos os aspectos – ao Ocidente, viu-se a Rússia – falamos de outra tirania – obrigada a marcar o seu lugar. 

Digamos que temos dois pit bull a marcar território. 

Qual era a outra opção? Se não fosse a ameaça do Ocidente a Rússia sentir-se-ia com necessidade de invadir? 

Se os Acordos de Minsk tivessem sido cumpridos e houvesse confiança entre os governos da Rússia e da Ucrânia, a Rússia teria invadido? 

Se Zelensky não fosse um pau mandado agora elevado a herói para manipular o ocidente sobre boas intenções, não teria havido já um acordo? A invasão teria acontecido? 

Estas perguntas sofrem de um mal. A honestidade. Gostaria de ter estas respostas. Se as vozes oficiais me responderem a estas questões sem o simplismo – ” a Rússia é que invadiu”, fico muito grata. 

Aristóteles ensina-nos nas suas reflexões em oito livros sobre “Política” para o momento de termos no poder uma elite aristocrática ou oligárquica que deforma os mecanismos de poder para servir os seus interesses só temos duas opções: a revolução ou a tirania. 

Ou um compromisso de cavalheiros que leve à paz. Não vejo outra solução. 

É que desde há algum tempo (basta estudar de 2001 a 2022) que vivemos sem parar na barbárie salpicada por momentos culturais e concertos pela paz. 

Digo-vos eu do alto da minha cátedra de voz dissidente sempre em aprendizagem, que já tendo experimentado na pele atentados terroristas, desemprego, sem dinheiro, emigração forçada, guerra civil, fascismo, epidemia, doenças graves, confinamento,misoginia, racismo e outras políticas implementadas só nas datas em epígrafe, continuo ainda a ter aberta a porta da esperança para a verdade entrar. 

Anabela Ferreira

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