A Pomba da paz que está cansada e fez um interregno para ir à casa de banho

De quem é a culpa do conflito territorial Israelo-Árabe para além do grande factor religioso?

Do Império Romano, Do Império Otomano e do Império Britânico por esta ordem.

Às vezes a história é simples.

Era uma vez uma terra Santa. Ali aparecerem todos os profetas, incluindo o Messias.

Na Judeia antes do ano 0 – nascimento de Jesus Cristo- viviam os judeus.

Os Romanos que dominavam o território expulsaram-nos e estes foram-se espalhando. Por diversas vezes tentaram regressar sendo sempre derrotados e expulsos. A páginas tantas destes regressos, guerras e derrotas, o Imperador Adriano rebaptiza o lugar. Passar-se-ia a chamar Palestina, o nome dado pelos Filisteus, o povo que também odiava os judeus.

Vá-se lá saber a razão dos ódios viscerais destes humanos uns sobre os outros. A religião pois então.

Em 1453 cai o Império Romano e em 1516 o território é conquistado pelo Império Turco-Otomano ficando sob o seu controlo até ao final da I Guerra Mundial.

Na Palestina, mesmo perseguidos viviam milhares de Judeus como viviam milhares de árabes e cristãos. Jerusalém servia de capital de todos, terreno híbrido da Paz (às vezes).

Os judeus por onde andavam na terra continuavam a ser perseguidos e responsabilizados por tudo, até pela Peste Negra na Idade Média. Uma merda de vida.

O movimento “jews life matters” ou movimento sionista como é conhecido, surge para criar um Estado de Israel onde os Judeus – que se diziam escolhidos por Deus(o que pode fazer levantar o sobrolho a muita gente das razões válidas – ora porque razão uns animais serão mais iguais que outros?) vivessem em segurança.

Prosseguindo, em 1917 os Britânicos tornam-se donos daquilo tudo, derrotam os Otomanos e assinam a Declaração de Balfour abrindo a via para que naquele território se estabelecessem os Judeus com a sua Pátria prometida.

Estava a barraca armada. De novo.

Enquanto os Bretões ajudavam os Judeus de um lado, também ajudavam os árabes a derrotar o que restava dos Turcos-Otomanos.

E ambos apoiavam os Bretões. Estão a ver a embrulhada?

Os Bretões apoiavam a criação do Estado Judaico mas não apoiava o Estado Palestino.

Só incongruências visto assim de quem vem de fora. Com isto aumentavam as tensões, o número de armas para defesa de ambos os lados e os seguidores da chinela e os seguidores da sandália com muitas mortes pelo caminho.

Uma confusão até para dividir o pobre Muro que só via lamentações a chegar dos dois lados.

Se ainda me acompanham nesta balbúrdia, eis que chega o psicopata Hitler com os seus seguidores psicopatas querendo abrir caminho para um novo Império pelo mundo – o III Reich- e a II Guerra Mundial tem início. Com ela o abominável Holocausto.

Derrotados que foram, no final, todos concordavam (mais ou menos) com a criação do Estado de Israel, estes auxiliados em particular pelos judeus Americanos. Precisamente ali, onde viviam os Palestinos e os cristãos e todos juntos e fé em Deus (ou não).

Os Bretões assustaram-se com a imigração em massa mas não conseguiram dominar os grupos de defesa israelitas que se formavam e procuravam a independência do Reino Unido (assim como a guerra de independência americana, só que com judeus).

Ganharam os Judeus, declarando o Estado De Israel (cruzes credo se eles iam lá aceitar um Estado duplo com os Palestinos).

Com a subida ao poder, mais recente, dos fascistas de Israel (que os há) o que passou de uma ocupação de território, foi-se expandindo para lugares onde viviam Palestinos há séculos.

E pronto, a barraca está armada. Aliás a barraca nunca foi desmontada. Lutas por territórios são a História da espécie. O que é lamentável, mas somos feitos desta massa estragada.

O confronto pelo território sofisticou-se, os Estados que ajudavam os Árabes foram derrotados, e a luta continua, no pior sentido.

Colonos que chegam, colonos que partem, isto é meu, não isto é meu, isto foi meu, mas eu já cá estava, eu tenho uzis, eu tenho pedras e agora vamos ver quem ganha.

Aguardamos com uma pomba da paz na lapela, um ramo de oliveira no retrato das redes sociais e tal.

Perante a insensatez, perante os egos desmesurados, perante o que se passa nos bastidores (sim há grupos árabes a apoiar os israelitas para se manter o status quo da guerra) já não consigo ver a coisa sem ser com olhos tristes em ralação aos milhares de mortos inocentes, dos dois lados.

That´s all folks.

Anabela Ferreira

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