A preto e branco

O labrego ace Ventura Português descobriu a tese que circula entre os wasp (brancos, anglo-saxões- protestantes) americanos que detêm desde a sua chegada à América o poder económico e financeiro, social, político e religioso de que os de pele escura, imigrantes serão maioria e consequentemente destronarão do poder os mesmos wasp, logo é de conveniência eliminá-los.

Assimilando e ventando o pensamento das vespas para terras lusas, com o medo de ser substituído – a célebre teoria da supremacia branca que avança na criativa América que celebra o “Thanks Giving”, por ter matado Índios e lhes ter ocupado o território (um processo bem conhecido como colonização e desenvolvido pela grande civilização Europeia), fazendo florescer uma civilização superior. Por ser branca, anglo-saxónica e protestante, com temor ao Deus europeu que separa grupos por cores:

– para o meu lado direito quero os brancos iguais a mim, lá em baixo para carregar as malas, os peles vermelhas, amarelas, os pretos e os mestiços.

Mas eis que o ace ventura deixa uma pista valiosa:

– “ninguém quer que, daqui a 30 anos, a Europa seja composta por indivíduos vindos de qualquer outro continente menos deste nosso!”

Socorro! Nós que vimos do continente de baixo, lá regressámos para os colonizar e escravizar, agora vemos estes últimos em maioria, reproduzem-se muito, nós brancos vamos desaparecer consequentemente perder o poder com o qual temos sido privilegiados pelo nosso querido deus. Vamos ser substituídos, pensa o intestino grosso do homem no vácuo arranjando solução;

-Vamos assimilar o conceito da substituição demográfica e vendê-lo por cá, também, com números falsos, demagogia, criando medo e a receita está pronta a ser oferecida, pensa o génio, importando e adoptando a teoria da substituição demográfica recuperada em França (por Renaud Camus’s Le Grand Remplacement ).

Notem a enorme hipocrisia – o facto de ser um texto de um Europeu branquinho que andou a invadir e a colonizar durante séculos territórios onde existiam outros povos.

Este facto deveria por si só compôr o ridículo da receita.

Entrar na panela vazia do ace ventura que dá pelo nome de teco e descobrir o vazio da receita de gastroenterite cerebral é de uma agonia atroz. Mas há tolos a cair no caldeirão dos bolos.

Na América os mais jovens, ignorantes e facilmente manipuláveis que lêem estas teorias de há cem anos, agora recicladas com o lixo que fazem, compram uma arma de guerra e matam velhos e crianças.

Pelo resto da Europa, incluindo Portugal, com mentiras, medo e manipulação – os bolos dos tolos – ganham-se votos e mina-se a traças o tecido que somos, fruto de miscigenação e de migrações humanas.

Enquanto isso o morenaço ace esquece a sua origem. Mas eu vou lembrar aqui. Nela incluo todos os brancos.

Até porque segundo registos históricos foi da Península Ibérica que partiram muitas dessas migrações humanas.

Humanos que ao passarem para latitudes a Norte, perdem melanina ficando mais claros. E só por essa razão são “brancos”.

Aqui deixo um trecho de um artigo do Público ainda não interiorizado pelo detective ace ventura.

“A receita genética para cozinhar um português moderno: aquecer em lume brando um “caldo” de ADN de celtas, iberos e lusitanos do início da era cristã, acrescentando umas pitadas de genes judeus vindos do Médio Oriente durante o Império Romano. De vez em quando, deitar no tacho alguns genes berberes. Esperar 700 anos e, em seguida, misturar uns punhados de genes de invasores árabes durante cinco séculos. Já no século XIII aumentar bastante o lume e reduzir a introdução de genes árabes (sem esquecer de continuar a polvilhar a mistura com mais genes judeus). A partir de meados do século XV, baixar o lume e ir deitando no caldo umas colheres de genes de escravos subsarianos. No início do século XVI, aumentar novamente o lume da Inquisição durante dois séculos, continuando a acrescentar genes africanos até ao fim do século XIX – e sem nunca esquecer de temperar periodicamente com mais alguns genes judeus (agora chamados “sefarditas”). “Por Ana Gerschenfeld

No futuro (como no passado) em termos de ADN e em termos demográficos, sejam quais forem os grupos étnicos a dominar, não duvidem que a mistura e sobreposição vai continuar. É um facto. Uns substituirão outros, outros serão maioritários relativamente a uns e assim sucessivamente.

Deveríamos aprender com os Budistas: venha a mudança por mão humana, por mão do karma, por mão das leis da natureza, tudo é impermanente!

A substituição do poder, essa sim é a grande questão que provoca desarranjos intestinais a estes racistas medrosos, também é um facto – mudará como nos conta a História da espécie. Mesmo que nos matem.

O futuro já está a acontecer e nada o faz parar.

Nem um “às” como o ventura. Essa é a ventura da História.

Anabela Ferreira

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