Os vendilhões do coitadismo

Usavam lantejoulas, jaquetas listadas, palcos iluminados… havia programas de rádio, televisão, jantares de sábado seguido de namoro e saídas de mão na mão. Uma ida ao cinema para matar a sensaboria do dia-a-dia. Confiava-se na arte e no artista… era bicho de trabalho e, claro opinião. Respeitava-se o seu lugar por saber estar, ser e…

As rosas de uma guerra injusta

“- Ó homem cala-te um bocadinho que a Joana está a a fazer-me perguntas é a mim!” Dizia-Lhe a D. Rosa, batendo-Lhe no braço. O Manuel veio da guerra com os estilhaços de uma mina no rosto e a visão que a alma havia retido, porque os olhos népia! Entre os muitos Deficientes de Guerra…

Tenho saudades dessa Grécia

Fui correspondente da Lusa em Atenas. Já anteriormente escrevia artigos para o Diário de Notícias, descrevendo situações do meu cotidiano em Atenas, e as divergências de hábitos e cultura da Grécia e do meu país. Ainda há muito a tendência de imaginar que somos povos parecidos, mas não somos, de todo … Uma das primeiras…

O bandeirismo e a reforma de cada um

Fomos… terão sido, os mais incautos telespectadores, apanhados desprevenidos pelas gordas que envolvem alguns famosos da praça. Poderia… gostaria de estar a esmiuçar a vida alheia; a arranjar piadas forçadas de cariz taberneiro mas nem com trinta tonéis dele a martelo me lembraria de invenção que me desse tamanha vergonha alheia. Sentada na sala de…

Resiliência

A dada altura do caminho, compreendemos por fim, a diferença entre desistir e não resistir. A verdade nua, crua e dura é que não possuímos nada a que possamos chamar de nosso. Com o tempo, tal como a fina areia que se nos escapa por entre os dedos, vão-se os afectos, os filhos, os amigos,…

Os coninhas do confinamento

Francamente que não percebo o desatino das pessoas com a situação do confinamento provocado pela pandemia. Ai que não posso ir ao mercado, ai que não posso ir ao café, ou ao jardim, ao restaurante, ao festival, etc., etc., etc. Pois a mim, ninguém me confina! Levantei-me cedo e fui à cozinha onde tomei um…

Hashtag Idadismo

O Idadismo é a última morada da moda das causas (…), no entanto ninguém quer publicitar a dita causa com o aspecto que tinham as nossas avós. Recordo as minhas… a avó pobre, viúva desde os 40 e picos, vestida de preto, lenço na cabeça e pernas tortas por décadas de drenagem linfática forçado nos…

Nós, a vida e as máscaras

No teatro grego os actores usavam máscaras para realçarem as características das suas personagens. Todos conhecemos a máscara que chora e a máscara que ri…afinal as duas emoções mais fortes do ser humano … Mas neste enorme palco que é a vida,todos nós,”personas “distintas,usamos máscaras sociais,são imprescindíveis para nos ajustarmos ao mundo e às suas…

Abandonei a minha mãe no altar

A gota de água foi a revelação do que aquele pacote continha…  As prendas da mamã sempre foram mais do que uma surpresa… Eram uma permanente provocação que se situava entre a angústia e o exoterismo da felicidade. Apareciam com embrulhos que me recordavam as descrições que se faz dos presentes ofertados em livros; em…

Pobrezinha mas honrada? Dia internacional da prostituta

Ser mulher não é ser maior, nascer forte e de sentidos mais apurados! Prova disso é a ternura que distribuímos ao longo da adolescência e vida adulta a homens que, fossemos nós conscientes do nosso merecimento, não usaríamos nem como acessório de peito; o vulgo broche. Ser mulher é nascer com a capacidade de olhar…