Dia do SNS – ou o caminho do Dia Nacional da Doença

Damos hoje as boas vindas a mais uma efeméride; o dia do Sistema Nacional de Saúde. 

Uma rede de proteção que foi pensada para todos, sem dogmas económicos, por quem sabia que um povo doente é um povo infeliz; por quem tinha a inteligência de compreender que não se pode exigir produção a quem não tem o bem mais básico assegurado. 

Saudemos, pois, António Arnaut: o Pai do SNS… saudemos os que a Ele se juntaram para fabricar os pilares de uma democracia plena e forte: a saúde!

Saudemos médicos, enfermeiros, auxiliares e todos os profissionais que constituem o tecido desta fortaleza que defende os nossos corpos e acarinha o bem-estar das nossas almas… 

Saudemos cidadãos anónimos, associações, políticos, organizações e sindicatos que se têm mantido num combate cada vez mais necessário contra o novo Sistema Nacional que se quer implementado; o da doença. 

O Sistema Nacional da Doença prevê incapacitar os serviços públicos através da diminuição da contratação dos profissionais de saúde; da retirada de valências; de contratos coletivos e individuais precários; do desinvestimento na necessária manutenção dos espaços e, com isto, o subsequente rapto dos cidadãos para as clinicas privadas que cresceram como cogumelos. 

Observando o que se passou, podemos constatar que houve estudos encomendados pelos próprios empresários que os desaconselhava a investir em muitas cidades por estas se encontrarem bem servidas com o Sistema Publico; ainda assim, num desvario económico, os investimentos privados avançaram… Ou será que o risco não era nenhum?

Os contratos entre público e privado habituaram o cidadão a deslocar-se a estes espaços, pagando, muitas vezes, menos que a taxa moderadora… O que acontece agora é que não encontram os mesmos serviços no SNS e, chegados às clinicas privadas são informados que já não há acordos! É para pagar a totalidade da salvação. 

Não há conivência! Há venda!

Existe um Plano de Recuperação e Resiliência que fala na necessidade de reverter a ostracização a que se tem votado a saúde mental… inserindo-a nos Cuidados Continuados; esses que não existem no nosso país a não ser em meia dúzia de instituições privadas! O mesmo local onde se faria o descanso do Cuidador Informal… Esse braço armado de uma pirâmide em ruínas. 

Edifícios estatais com voto parlamentar para que os mesmos sejam inseridos na rede nacional de Cuidados Continuados, são entregues a empresas privadas para exploração de hotéis de luxo. 

Morreram… Quantos do Nossos morreram nos Lares? Não há um número exato mas há prémios!

Há até a palavra do Padre Lino e do Dr. Lemos afirmando que as IPSS’s e Misericórdias a que presidem, tiveram os melhores resultados da Europa! Exigindo vénias de deputados; recebendo honrarias vindas de fora… Mas… as queixas multiplicam-se… De familiares, de trabalhadores, de utentes. Tudo às claras e com estes senhores recusando dar o numero de mortos e infetados para não colocar em causa a privacidade dos dados dos utentes. 

Assim se decide dar mais uns milhões a entidades privadas em vez de pensar numa rede pública de apoio aos mais velhos, sem que a mesma seja o novo mercado da… doença. 

Mas que esperar do mundo quando a própria Comissão Europeia assumiu este ano a velhice como patologia!

Façamos, pois, um minuto de silencio pelo SNS!

Mas apenas hoje!

Porque a luta requisita todos como valentes combatentes da corja que nos avalia como carne, como números!

Aqui Vos deixo o primeiro episódio da série documental em que estive acompanhada pela Matilde Calado com Intervenientes que merecem ser escutados. 

Espalhem a noticia!

Rita Maia

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