O bandeirismo e a reforma de cada um

Fomos… terão sido, os mais incautos telespectadores, apanhados desprevenidos pelas gordas que envolvem alguns famosos da praça. Poderia… gostaria de estar a esmiuçar a vida alheia; a arranjar piadas forçadas de cariz taberneiro mas nem com trinta tonéis dele a martelo me lembraria de invenção que me desse tamanha vergonha alheia. Sentada na sala de estar, vejo um anúncio televisivo em que a Filomena Cautela e o Herman José, dão a cara por uma dessas empresas de trabalho exploratório… precária será a nossa sanidade mental que, aplaudimos a finess interventiva da primeira, num programa com horário nobre, para depois nos depararmos com o despotismo da cegueira social… partindo do princípio de que a senhora é apenas uma inconsciente… quanto ao Hérman José… desde a miséria que lhe vi na entrevista da Sara Tavares que arrumei as botas sobre o que se poderia dali esperar. Todos estamos no direito de fazer dinheiro, é certo… mas, assumindo que estas são pessoas informadas ou sempre se apresentaram e venderam como tal, não há aqui, a objectivação do público?! Somos apenas um meio para atingir um fim? Vendem-nos qualquer coisa? Até quem escraviza?

Continuo sentada; incomodada com a beligerante demissão social da socialite artistica portuguesa e… eis senão quando me entra o Goucha pelos olhos dentro, como apoiante da candidatura da Dra. Suzana Garcia.

O Sr. que tem feito carreira com a miséria alheia; contando as histórias de dificuldade e superação de doentes, desempregados, órfãos e todas as estirpes de humanos que possam puxar as audiências e as lágrimas; assume-se como apoiante de um traste cujo discurso está intimamente ligado com o da extrema direita. 

Isto não são estrelas… são pessoas cuja formação se pode considerar, no mínimo dúbia, a quem muitos curvam as costas, sabem os deuses porque misteriosos desígnios. 

Mas, o que importa é fazer carreira como dignos defensores dos oprimidos, esclarecidos intelectuais ainda que para isso se tenha que dar pancada num subsídio dependente da Amadora ou comer um hambúrguer do Avilez entregue pelas mãos de uma mãe de família sem descontos para a segurança social!

Rita Maia

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