O seu a seu dono, Mário Soares e a história que eu vivi ( por Rodrigo Sousa Castro)

Mário SoaresLAICO, entre um Povo de profundos sentimentos anti clericais;

REPUBLICANO, entre um Povo de republicanos;

SOCIALISTA, entre um Povo sedento de Justiça Social ,Igualdade e Liberdade.

Em 1973 , quando Spínola abandonou a Guiné perante a iminência de um desastre militar que não queria assumir, Mário Soares era entre os exilados políticos portugueses era aquele que melhor informado estava sobre o colapso anunciado da ditadura.

Três hipótese se colocavam perante o impasse que a Nação vivia e para o qual a ditadura e a guerra colonial a haviam conduzido.

1 . A retirada militar da Guiné finalmente assumida pela liderança politico militar da ditadura, e a declaração da independência ” branca” de Angola que tinha vindo a ser negociada pela ala direita do Regime e estava prevista ser anunciada no verão de 1974, ficando Moçambique entregue às negociações que Jorge Jardim entretanto encetara com vários parceiros incluindo a Frelimo ;

2 . A continuação da guerra ,pura e dura, que um reduzido número de ultras encabeçados por Kaúlza de Arriaga , preconizavam;

3 . Uma revolta militar conduzida e controlada por militares afectos ao General Spínola que permitisse uma transição mais ou menos pacifica do Regime e a solução do problema colonial.

Esta terceira hipótese de solução, encabeçada por Spínola e ùnica com a qual Mário Soares contava e na qual seria incluído, mercê da sua ligação ao general, fracassou rotundamente em 16 de Março de 1974, mercê do entusiasmo imprevidente que os oficiais spinolistas exibiram. Eles estavam, convencidos que , face ao carisma do seu chefe, eram favas contadas assim que a primeira unidade militar se pronunciasse. Todo o exército seguiria atrás de Spínola e do seu prestigio de cabo de guerra, congeminaram.

Este fracasso militar coloca ao Regime a questão premente de combater a insurreição larvar no Exército, no seio dos quadros mais jovens. Perante a prisão dos oficiais spinolistas, que incluiu pela primeira vez acções de agentes da Pide /DGS contra alguns, e a certeza que o Regime se preparava para actuar em larga escala sobre o movimento dos capitães em geral, este movimento promove o golpe militar de 25 de Abril de 1974, de forma eficaz e resoluta, derrubando a ditadura e anulando as hipóteses das soluções atrás aventadas..

Spínola e o seu grupo de militares entretanto libertados da prisão ocupam a cena politica. Spínola chama Soares regressado do exílio que rodeado dos seus homens , mal tolera os protagonistas do golpe vitorioso. Soares é apanhado de surpresa , perante a composição do corpo de oficiais revoltosos e até do seu grau de comprometimento politico.

Soares trás da Europa um primeiro compromisso a ser realizado, descolonizar o Império, negociando com os movimentos de libertação no terreno, que apesar de consabidamente pró soviéticos tinha o beneplácito das esquerdas europeias. E neste ponto Soares obtém o apoio total dos revoltosos, que acabam ainda assim por nomear Spínola o chefe da revolta.

Spínola , já presidente da Junta de Salvação Nacional, faz orelhas moucas ao discurso esquerdista inflamado que Soares profere no grande meeting do 1º de Maio de 1974, e pede-lhe conselhos e nomes para o cargo de primeiro ministro e outras pastas. Soares passa assim a ser, sem qualquer sufrágio popular , o politico civil mais influente dos primeiros tempos da revolução.Pela mão de Spínola.

Entretanto o regresso do carismático líder comunista Álvaro Cunhal, a eficiente máquina de propaganda do partido comunista a debilidade insofismável do centro e da direita políticos e a ânsia generalizada de viver a Liberdade, aceleram todo o processo politico levando a uma intempestiva renúncia de Spínola., que uma vez mais , ele e a sua entourage avaliam mal.

A renúncia de Spínola fortalece o movimento dos capitães original, e mercê de pactos e conivências com o partido comunista e grupos de extrema esquerda por parte de alguns desses militares em cargos de responsabilidade na hierarquia militar, o partido socialista entretanto reorganizado, começa a sentir na pele um crescendo de hostilidades e verifica e que lhe são subtraídas alavancas de poder que outros usurpavam e utilizavam a seu bel prazer.

A crise sindical é o toque a rebate para os socialistas, que entretanto, à cautela, confortavam Spínola com a sua presença assídua em Massamá. Soares e o PS, ou parte dele, continuavam com a convicção que os oficiais spinolistas eram os que maior prestigio tinham nas F.A’s e que por via disso controlariam qualquer movimento militar que surgisse. É neste quadro que Spínola parte para a sua nova aventura, 11 de Março de 1975 e fracassa.

Antes que alguma suspeita se confirmasse, Mário Soares encabeça um movimento de repúdio pelo acontecimento , tentando não ser ultrapassado pelo PCP. Cauciona todo um conjunto de medidas tomadas pelo Conselho da Revolução e que mudam dramaticamente todas as relações de forças existentes na Sociedade portuguesa.

Convenhamos , que perante a cobardia politicas das direitas a Mário Soares não sobrava outra atitude.
As eleições para a Assembleia Constituinte são, indiscutivelmente, o momento privilegiado para Mário Soares ousar colocar a revolução nos carris.

Ao tentar fazê-lo, a pressão exercida pelos que perfilhavam a legitimidade revolucionária em contraponto com a legitimidade eleitoral cria uma situação caótica a que se convencionou chamar verão quente de 75.
Em aliança com um grupo de militares moderados, onde pontificavam Ramalho Eanes e os ” nove”, Mário Soares encabeça a chamada resistência civil, admitindo uma mescla de socialistas, conservadores, monárquicos e mesmo saudosistas da ditadura, na luta que proclamava contra o perigo comunista.

Note-se que Soares sabia do que se tratava pois tinha sido militante comunista. A certa altura preconiza a ida de deputados e da Assembleia Constituinte para o Porto, pretendendo estabelecer uma ruptura que poderia dividir violentamente o País a meio e originar um grave conflito armado.

Eanes e o grupo dos ” nove” dizem-lhe redondamente NÂO. Deixando às Forças Armadas a indicação do candidato a Presidente da República, Mário Soares coliga-se com o PPD/PSD e CDS para o apoiar e , em conjunto afastarem o perigo esquerdista e conter as veleidades comunistas.

Eanes escolhido pelos seus pares do Conselho da Revolução, é eleito por mais de 60% dos votos.
Normalizado o processo politico e após a aprovação da Constituição Mário Soares e o partido socialista ganham naturalmente as eleições. Não tendo maioria para governar o seu primeiro governo constitucional cai perante as dificuldades do País.

Esperava então Mário Soares de Eanes a paga do seu apoio eleitoral e que favorecesse um novo governo sem apoio maioritário no parlamento. Eanes recusa, exige uma maioria, que de estável e coerente tinha pouco, e Soares pressionado e contrariado faz uma aliança com o CDS e forma o II Governo Constitucional.

A curta vida de tal governo leva Eanes, a tentar governos de iniciativa presidencial, que contam com a evidente má vontade dos partidos e pouca duração têm. Resta então a realização de novas eleições que darão uma vitória à direita.

Mário Soares nunca se conformou com estas atitudes politicas do Presidente Eanes e achou azado o momento da recandidatura de Eanes para a desforra. Em plena pugna eleitoral, Mário Soares que havia colocado o PS em apoio de Eanes, por uma razão de lana caprina retira-lhe o apoio e espera saborear a derrota do general.

Mas é Eanes que surge vencedor e Soares espera pacientemente a oportunidade de novo ajuste de contas. Ela surge em 1982, aquando da revisão constitucional, que Mário Soares e Almeida Santos lideram, infringindo a Eanes tornado seu principal adversário politico a humilhação de lhe retirarem em pleno mandato poderes substanciais.

Soares recupera protagonismo politico com um governo de Bloco Central e enceta conversações para a entrada de Portugal na UE, tornada inevitável dadas as circunstâncias politicas à época. Portugal acaba por ser admitido em 1986, ao mesmo tempo que a Espanha.

O fim dos mandatos de Eanes vai revelar de forma estrondosa as rivalidades politicas que o opõem a Soares. Para além de ter impulsionado um partido que entra em concorrência directa com o PS, Eanes apoia e pretende fazer seu delfim o socialista dissidente Salgado Zenha. Soares, mostrando a sua inquestionável fibra de lutador apresenta-se a sufrágio e após ter conseguido passar à segunda volta acaba por derrotar o candidato das direitas.

Ocupando a presidência em pose majestática, Mário Soares assiste sem um assomo de critica numa primeira fase, ás politicas verdadeiramente suicidas do PM Cavaco Silva que a coberto da inundação de fundos europeus, deixa destruir sem apelo nem agravo uma parte substancial do aparelho produtivo nacional. Só no segundo mandato resolve hostilizar ainda que moderadamente o todo poderosos PM.

Na oportunidade seguinte, já com 80 anos e apesar das juras em contrário Soares tenta uma nova eleição presidencial, afrontando o seu “ ex amigo” Manuel Alegre, dividindo inexoravelmente o PS e contribuindo para a eleição de Cavaco.

Passados cinco anos, sem esmorecer da raiva politica que votava a Manuel Alegra, Soares empurra para a liça um aventureiro politico , Fernando Nobre, caucionando de forma estranha a reeleição de Cavaco, que ultimamente não se cansa de causticar.

Aos 90 anos, tem direito aos parabéns. Mas politicamente não tem direito à unanimidade nem ao esquecimento do que protagonizou.

As circunstâncias históricas deram-lhe protagonismo, mas ele dificilmente poderá ser considerado um fautor da História. Condicionou é certo, mas foi mais arrastado pelos acontecimentos que o seu promotor.

(Publicado pelo coronel Rodrigo Sousa e Castro “ capitão de Abril , capitão de Novembro” na sua página do Facebook)

Um comentário a “O seu a seu dono, Mário Soares e a história que eu vivi ( por Rodrigo Sousa Castro)”

  1. Maria diz:

    Será k esse SR. não têm um pouco de vergonha na cara, para dizer que é DONO duma coisa k pretence ao POVO Portugês … Por culpa desse Sr. e outros como ele… Saí do país k eu tanto amo 🙁 .
    O meu maior desejo, é poder viver até ao dia que nome MARIO SOARES… passa-se a ser “Os Sacrificios do povo Português”.
    Muito obrigada.
    Sincerly
    Amelia Saores

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