Temos assistido nas últimas semanas a todo um conjunto de manobras de manipulação da opinião pública levadas a cabo pelo Governo de traição nacional Coelho/Portas tendentes a fazer passar a ideia de que a situação do desemprego em Portugal estaria a melhorar, afirmando-se mesmo que a respectiva taxa e até o número absoluto de desempregados teriam descido no final do 2º trimestre de 2015 para números inferiores aos do 1º trimestre de 2011, sendo agora, segundo números do Instituto Nacional de Estatística – INE, de 11,9% e de 620.400, respectivamente.
Assim, ministros e dirigentes da coligação fascista PSD/CDS, como Marco António Costa, Mota Soares e Cecília Meireles, esfalfaram-se a falar em “dia histórico” e até o inefável secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou que “temos que dizer bem do que há que dizer bem” e manifestou mesmo o seu “reconhecimento pelas políticas públicas onde nós também damos o nosso esforço e demos os nossos contributos.”.
Todos os vendidos, corruptos e vendedores da banha da cobra, com a chamada comunicação social de referência à cabeça, alinharam nesta farsa.
A verdade, porém, é que todo este alarido não passa de uma enorme mentira e embuste e de uma monumental manipulação, como bem sabe quem quer que conheça a situação miserável do nosso País e não aceite que lhe atirem poeira para os olhos!
Desde logo, e segundo os próprios dados do mesmo INE, o número total da população empregada desceu, no período em que o Governo se gaba de ter criado 175.000 empregos (ou seja, entre Janeiro de 2013 e Abril de 2015), de 4.893.000 para 4.458.600, ou seja, em tal período foram afinal destruídos 434.400 empregos!
Depois, os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística, se é certo que não se reduzem ao chamado “desemprego registado” usado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional – IEFP, isto é, ao número de desempregados que se encontram efectivamente inscritos num dos Centros de Emprego, baseiam-se todavia num inquérito à população realizado relativamente apenas a uma dada amostra que se considera representativa do total da população portuguesa, com tudo o que de falível tem essa mesma consideração.
Mas, por outro lado, e ainda mais importante, os dados do chamado “desemprego oficial” assim obtidos pelo INE, não incluem nem os denominados “inactivos disponíveis” (ou seja, os desempregados que não procuram emprego e, logo, estão fora da estatística), nem o chamado “subemprego a tempo parcial” (constituído por todos os trabalhadores que se viram forçados a aceitar um “biscate”, um emprego a tempo parcial, por não encontrarem nenhum emprego a tempo integral). E, finalmente, ficam também de fora os chamados “inactivos ocupados” como são qualificados os desempregados que estejam temporariamente a frequentar um curso ou acção de formação profissional ou a cumprir um estágio profissional. Ora, o número dos “inactivos disponíveis” era, no final de Março de 2015, de 256.800 e os do “subemprego a tempo parcial” 252.000, e no final de Junho de 242.900 e de 242.800, respectivamente, num total de 485.700 verdadeiros desempregados, enquanto o número de “inactivos ocupados” atingia os 155.892. Quer tudo isto dizer que, afinal, os dados das estatísticas oficiais do INE escamoteiam 641.592 reais desempregados, os quais, se forem contabilizados como deviam e adicionados aos 620.400 “oficiais” fazem atingir o número verdadeiramente astronómico de 1.260.000 (um milhão e duzentos e sessenta mil!) reais desempregados, e uma taxa de desemprego real superior a 24%.
Assim vai, pois, a mentirosa propaganda oficial…
Por outro lado, se se atentar nas estatísticas do “desemprego registado” do IEFP, mais exactamente nos respectivos quadros de “Informação Mensal do Mercado do Emprego”, constata-se não apenas que no dia 1 de Janeiro de 2015 estavam inscritos no conjunto dos Centros de Emprego 598.581 desempregados oficiais como também que, ao longo dos meses de Janeiro a Junho deste mesmo ano de 2015, se inscreveram, designadamente para poderem receber o subsídio de desemprego, um total de 340.733 novos desempregados, sendo que, durante exactamente o mesmo período de tempo, apenas arranjaram trabalho e foram colocados 64.565 desempregados.
O que deveria significar, pela simples equação de 598.581 mais 340.733 menos 64.565 igual a 874.749, que no final de Junho estariam inscritos os referidos 874.749 desempregados. Porém, a dita “Informação Mensal do Mercado do Emprego” do IEFP respeitante ao mês de Junho refere apenas… 536.656!
Em suma, só ao longo dos primeiros 6 meses do presente ano, o mesmo IEFP promoveu a eliminação dos respectivos ficheiros de 338.093 desempregados, sem nunca explicar minimamente as razões de tão grande e oportuno “apagão”.
Ora, como nem os eventuais óbitos verificados entre os desempregados – cada vez mais frequentes, é verdade, devido à crescente impossibilidade de os mesmos desempregados se alimentarem e se tratarem devidamente -, nem as passagens à reforma, nem sequer a emigração (que por ano ascende a cerca de 130.000 portugueses, grande parte dos quais, é certo, desempregados), permitem explicar sequer 1/3 daquele número de 338.093, forçoso é concluir que se está aqui de novo perante o uso sistemático da técnica – já muito utilizada nos tempos da governação de Sócrates – de, em cada mês, o IEFP proceder a uma gigantesca “cajadada” ou “chapelada” de ficheiros. Com a qual procura matar dois coelhos de uma só vez: por um lado, diminuir tão artificial quanto drasticamente as estatísticas oficiais do referido “emprego registado” (apagando cerca de 40% do real) e, por outro, reduzir o valor das prestações sociais devidas aos cidadãos já que, para fazer uma nova inscrição no Centro de Emprego, o desempregado tem de aguardar 90 dias e depois ir suportar as longas e habituais filas de espera para a dita inscrição, acabando muitas vezes por desistir.
O governo PSD/CDS não é, assim, apenas um governo de traidores que está a vender ao estrangeiro o nosso País e cada um dos seus recursos.
Não é apenas um governo de ladrões que para pagar a dívida e encher os bolsos aos grandes capitalistas e imperialistas germânicos rouba a quem trabalha, ou já trabalhou uma vida inteira, os salários e pensões e lhe retira os mais elementares direitos sociais (nos seus 4 anos de governação, Coelho e Portas tiraram a meio milhão de portugueses apoios sociais tão básicos como o subsídio de desemprego, o rendimento social de inserção, o abono de família para as crianças ou o complemento solidário para os idosos).
É também um governo que mente, e mente descaradamente e com quantos dentes tem na boca, para se continuar a agarrar ao poder e a encher-se à nossa custa.
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